Lula grava para candidatos no Rio e deixa Molon de fora

Gravações acentuaram ainda mais o abandono de Molon e o foco do PT do Rio na Baixada Fluminense

Alexandre Rodrigues, Agencia Estado

26 de setembro de 2008 | 20h03

Apesar da promessa de não entrar na campanha das cidades onde os partidos aliados se enfrentam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez gravações para petistas ou coligados com o PT em várias cidades do Estado do Rio, na maioria delas contra candidatos do governador Sérgio Cabral (PMDB), seu aliado. Já o candidato petista na capital, Alessandro Molon, que tem dificuldades para subir nas pesquisas, ficou de fora. As gravações de Lula, que já provocaram muita polêmica nos partidos da base, acentuaram ainda mais o abandono de Molon e o foco do PT do Rio na Baixada Fluminense.  Veja também: Especial: Perfil dos candidatos  Ibope: Veja números das últimas pesquisas Lula gravou para os candidatos do PT nos maiores colégios eleitorais da região metropolitana. Em pelo menos três, se opôs a Cabral, principal cabo eleitoral da maioria dos adversários petistas. É o que aconteceu em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense) e São Gonçalo (Grande Rio), onde Lula recomenda os nomes de Lindberg Farias e Altineu Côrtes. Em campanha pela reeleição, Lindberg enfrenta o deputado federal Nelson Bornier (PMDB), candidato de Cabral, na eleição mais polarizada do Rio. A vitória dele é encarada como prioridade no PT fluminense, que quer ampliar sua base na Baixada. Em São Gonçalo, o neopetista Côrtes usa Lula para tentar minar a polarização entre Graça Matos (PMDB) e a atual prefeita, Aparecida Panisset, que trocou o DEM pelo PDT depois de uma visita do presidente à cidade e agora ficou a ver navios. Em Belford Roxo (Baixada), o governador pede votos para a ex-deputada Sula (PMDB), enquanto Lula cita o nome do petista Alcides Rolim (PT). Em Duque de Caxias, Lula e Cabral se encontram no mesmo palanque. A entrada de Lula na campanha desagradou alguns peemedebistas. "Não era esse o combinado. Com certeza essa é uma discussão que teremos que ter, mas vamos deixar para depois da campanha", queixou-se Bornier, que tem feito campanha com a presença constante de Cabral em carreatas e na TV. No grupo de Cabral, no entanto, mais importante tem sido manter o presidente afastado da capital, onde o candidato do governador, Eduardo Paes, da coligação "Unidos pelo Rio" (PMDB-PP-PSL-PTB), lidera.''Genérico''Para o presidente regional do PT, Alberto Cantalice, a participação do governador nas eleições liberou Lula para pedir votos no Rio, já que o PT também faz parte do governo de Cabral. "Cabral tem feito campanha com os candidatos e nós, que somos da base dele, não reclamamos. Não vemos problemas, desde que nós também possamos usar o Lula", afirmou. Segundo Cantalice, Lula não entrará na capital porque sua base está muito pulverizada. Além de Paes, concorrem aliados como Jandira Feghali, da coligação da "Mudança pra Valer" (PTN-PCdoB-PHS-PSB), e Marcelo Crivella, da coligação "Vamos Arrumar o Rio" (PR-PSDC-PRTB-PRB). Molon ficou apenas com o vídeo "genérico" em que o presidente pede votos para um prefeito afinado com o governo federal. O candidato diz compreender a ausência do presidente. "Naturalmente a situação da capital é muito mais complicada para o presidente do que nos outros municípios", afirmou.

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