Lula faz almoço para pacificar petistas e PSB

Disposto a curar as feridas abertas na relação com o PSB, mostrar unidade e atrair votos para Fernando Haddad (PT) em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva selará amanhã a trégua com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Lula reunirá Campos, Haddad e outros três governadores do Nordeste, do PT e do PSB, para um almoço no Centro de Tradições Nordestinas, na capital paulista.

VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2012 | 03h07

O encontro foi planejado para desfazer o mal-estar na relação depois que o PSB e o PT romperam a aliança em capitais importantes, como Recife, Belo Horizonte Fortaleza. Além de Campos, que também comanda o PSB, os governadores Jaques Wagner (PT), da Bahia, Marcelo Déda (PT), de Sergipe, e Cid Gomes (PSB), do Ceará, participarão da conversa com Lula e gravarão mensagem de apoio para Haddad usar no programa eleitoral de rádio e TV.

A cúpula da campanha está preocupada com o crescimento do candidato do PRB, Celso Russomanno, em antigos redutos do PT e quer a ajuda dos governadores para conquistar os eleitores nordestinos.

Pernambucano, Lula tem papel decisivo nessa estratégia e ainda hoje participará de dois comícios de Haddad, um em Capão Redondo e outro em Cidade Dutra, na zona sul. A nova ministra da Cultura, Marta Suplicy, também subirá hoje no palanque de Haddad. Antes, o petista fará uma carreata em São Miguel Paulista, bairro da zona leste que reúne muitos moradores vindos do Nordeste.

O relacionamento entre o PSB e o PT azedou de vez depois que Campos decidiu lançar seu então secretário de Planejamento, Geraldo Júlio (PSB), à prefeitura do Recife, hoje comandada pelo PT. Lula ficou furioso e não escondeu que sempre ajudou Campos, quando era presidente.

No Recife, carros de som da campanha de Humberto Costa (PT) tocam "Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão", sucesso na voz de Beth Carvalho. Em recente entrevista ao Estado, o presidente do PT, Rui Falcão, admitiu problemas com o PSB. "Acho que há uma disposição do PSB de se fortalecer, colocando na ordem do dia a possibilidade de disputar 2014 fora do nosso bloco", afirmou Falcão, numa referência à eleição presidencial.

Campos diz estar empenhado em pacificar a relação, mas não quer nem Lula nem a presidente Dilma Rousseff no palanque de Costa, no Recife. Essa é, na prática, a condição que o governador impõe para ajudar Haddad. Ao que tudo indica, ele terá sucesso na empreitada.

Em Belo Horizonte, o PT e o PSB também vivem às turras. A coligação de Patrus Ananias, candidato do PT, entrou com ação por abuso do poder político e econômico contra o prefeito Márcio Lacerda (PSB), que concorre ao segundo mandato. A campanha de Patrus alega que Lacerda contratou servidores públicos menos de três meses antes das eleições, prática vedada pela Lei Eleitoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.