Lula evita falar sobre acusações de Valério

Em Barcelona, onde foi receber um prêmio, ele diz que continua na política por ter 'profunda crença' na humanidade

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / BARCELONA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h05

"Pergunta para ele". Essa foi a única resposta dada ontem pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ser bombardeado com perguntas sobre se ainda acreditava que Marcos Valerio estava mentindo, mesmo depois de o empresário afirmar que entregou ao Ministério Público provas que mostrariam seu envolvimento nos episódios denunciados. A informação foi publicada ontem pelo jornal Folha de S. Paulo.

Em Paris, onde havia estado antes de viajar para a Espanha, em um fórum econômico copatrocinado pelo Instituto Lula, o ex-presidente já havia comentado o assunto e chamado Valerio de mentiroso. "Não posso acreditar em mentiras, não posso responder a mentiras", afirmou na ocasião, enquanto saía rapidamente do hotel, cercado de microfones. Também na França ele mencionou, no final de uma palestra, a possibilidade de voltar a ser candidato.

Lula esteve em Barcelona para receber um prêmio de R$ 215 mil, pelo conjunto de suas realizações políticas e sua luta contra a pobreza no Brasil. Apesar de fugir da imprensa por onde passava - e até usar os corredores da lavanderia do hotel para escapar das entrevistas, ele voltou a garantir: "Continuo a fazer política". Explicou, a propósito, que não a deixou: "Existem várias formas de fazer política. Até dois anos atras, fiz política através de processos eleitorais democráticos", afirmou, para acrescentar: "Encerrados dois mandatos eletivos de presidente, continuo a fazer política porque tenho uma crença profunda na humanidade", afirmou. "Meu papel político, agora, é pregar que o desenvolvimento de um País deve representar a prosperidade de todos seus cidadãos."

O esforço para evitar a imprensa exigiu um forte esquema de segurança. Ao sair do quarto, usou corredores internos, passando pela lavanderia do hotel, de onde alcançou a rua. Em certo momento, foi alertado por assessores sobre jornalistas no caminho, virou o rosto rapidamente e entrou no carro.

Prêmio. Convidado pelas autoridades catalãs, Lula compareceu ao Palau de la Generalitat - a sede do governo da Catalunha - onde recebeu o 24.º Prêmio Internacional Catalunha. Depois do que passou em Paris, pediu aos anfitriões que nem sua agenda nem o hotel onde ficaria fossem revelados.

Foi na saída da homenagem que, abordado por jornalistas, sobre as novas denúncias envolvendo o PT e seu governo no Brasil, decidiu falar quando alguém mencionou Marcos Valério e sua afirmação de que teria provas do envolvimento do ex-presidente no mensalão, Questionado se achava que Valério estaria mentindo, respondeu: "Pergunta para ele".

Minimizar. Entre os membros da comitiva, o empenho era para minimizar o caso. Um dos acompanhantes de Lula, o ex-ministro Luis Dulci, negou que o noticiário sobre Valerio tivesse afetado a viagem de Lula. "São denúncias velhas", disse ele, garantindo que o ex-presidente sequer falou do caso com a comitiva.

Lula, porém, tratou da crise no PT em um longo almoço que teve com o ex-presidente espanhol, o socialista Felipe Gonzalez. O ex-chefe de governo da Espanha teve seus últimos anos de mandato marcados por denúncias de corrupção que afetaram a popularidade de seu partido e o levaram a derrotas eleitorais. Gonzalez se recusou a dar detalhes da conversa, enquanto fumavam charutos cubanos. "Foi maravilhoso", disse Lula. O ex-presidente voltou ontem ao Brasil em um jato privado que, segundo sua assessoria, foi disponibilizado por investidores que organizaram uma palestra dele no Catar, no fim de semana.

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