Lula diz a Haddad que prioridade é atrair PSB para aliança

Petista telefonou para o ex-presidente; ele criticou Kassab por 'maquiar' a gestão e Serra por ser 'um ministro cruel'

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2012 | 03h07

O pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, espera que a partir da próxima semana o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu alta médica do Sírio-Libanês anteontem, já possa auxiliá-lo na definição de estratégias eleitorais e na negociação de alianças. Lula sinalizou a Haddad que sua primeira atitude será procurar o presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, para uma conversa.

Haddad conversou com Lula por telefone duas vezes ontem. O ex-presidente lhe informou que deverá concluir o uso de antibióticos contra pneumonia na sexta-feira e que retoma os contatos políticos já na próxima semana, quando ambos se reunirão.

Enquanto enfrenta dificuldades na costura de alianças e para contornar disputas internas do PT, Haddad mantém as agendas de pré-campanha. Ontem, ele visitou a região de Perus, na zona oeste da capital. O ex-ministro dá continuidade à estratégia, definida pela coordenação da campanha, de criticar a atual gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o pré-candidato do PSDB, José Serra.

Segundo Haddad, Kassab tenta "maquiar" os baixos índices de aprovação de sua gestão com um pacote de obras. "Há um desconforto na cidade com os últimos oito anos, mesmo que nos últimos meses se queira maquiar o que está acontecendo. O prazo é curto para se reverter a percepção que foi-se tendo em oito anos de que o tempo foi em algumas áreas perdido."

Ele acusou o prefeito de promover um "concurso de vices", que integram o secretariado municipal, para atender Serra. "Essa hipótese do afastamento de cinco secretários municipais é como se houvesse um concurso de vices, em vez de cuidar da cidade até 31 de dezembro. Você exonerar cinco secretários para fazer uma seleção é um descaso com a cidade", avaliou.

'Ministro cruel'. O petista também elevou o tom das críticas a Serra e afirmou que o tucano foi "o mais cruel ministro do Planejamento"por ter cortado investimentos nas universidades públicas federais. "Talvez o Serra, como ministro do Planejamento, tenha sido o mais cruel do ponto de vista orçamentário com as universidades federais", disse o petista, ao comentar sobre negociações do PC do B, tradicional aliado do PT, com o PSDB em algumas capitais do País, o que poderia ter reflexos em São Paulo. Segundo Haddad, seria difícil apostar numa conexão entre Serra e o PC do B pelas ligações históricas do partido com a UNE.

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