Lula deve explicações à CPI, diz oposição

PSDB quer ouvir ex-presidente sobre pressão relatada por ministro do Supremo

FÁBIO FABRINI, EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2012 | 03h10

O PSDB prepara medidas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o teria pressionado para adiar o julgamento do processo do mensalão em troca de proteção na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a relação do contraventor Carlinhos Cachoeira com parlamentares.

O ministro do Supremo tem relações estreitas com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), acusado de envolvimento com a organização de Cachoeira.

Setores do partido discutem três propostas: interpelar o ex-presidente na Justiça, convocá-lo para depor na CPI, bem como a Gilmar Mendes, e propor uma acareação entre os dois. A estratégia será fechada hoje, na véspera da sessão administrativa da CPI que irá decidir a convocação do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo.

"Não há ainda uma definição. Estamos apenas conversando. Mas até amanhã (hoje) a gente troca ideias sobre qual vai ser o procedimento", afirmou o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR). Em sua avaliação, as denúncias contra Lula são graves. "O que houve foi uma afronta a duas instituições: o Congresso e o Judiciário."

Para os petistas, as propostas do PSDB têm como único objetivo tirar ao foco da CPI. "Essa proposta é uma bobagem. Diria até que é falta do que fazer. Esse assunto não interessa à CPI", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), integrante da comissão. "Acho que eles (tucanos) querem fugir do assunto Perillo", disse o ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP).

Considerado um dos parlamentares "independentes" da CPI, o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) afirmou que é "um absurdo" tentar convocar Lula. "É querer transformar um caso grave numa disputa partidária", observou. Ele se disse ainda "perplexo" com o episódio envolvendo Lula e o ministro Gilmar Mendes. "Parece que não estamos diante de um caso policial, mas de manicômio judicial", afirmou.

Integrante da CPI, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) disse ter conversado com o líder do partido na Câmara, Bruno Araújo (PE), que lhe deu aval para defender a convocação de Lula. "A denúncia é gravíssima: um ex-presidente dizer que manda na CPI e usar isso para chantagear um ministro do Supremo", argumentou. "Se é mentira, o Lula tem de vir a público se explicar. É quase impossível um encontro fortuito entre duas autoridades desse porte", disse.

Acordo. Na reunião da CPI marcada para amanhã, o PT costura com partidos aliados um acordo para a convocação de Perillo e, possivelmente, do governador de Tocantins, Siqueira Campos, outro tucano citado nos grampos da Polícia Federal.

Além das convocações dos governadores e da quebra de sigilo da matriz da Delta Construções, a CPI ouvirá na quinta-feira o depoimento de Demóstenes Torres, braço político do esquema de Cachoeira. O senador depõe amanhã no Conselho de Ética, que analisa pedido de cassação de seu mandato.

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