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Lula desiste de viajar e concentra esforços na campanha de Haddad

Em reunião com lideranças do PT, ex-presidente decidiu que sua atuação será mais relevante na capital para tentar levar petista ao segundo turno

José Maria Tomazela, de O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 16h09

Com dificuldade para administrar a crise em candidaturas de outras capitais, como Recife (PE), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT fecharam questão nesta quarta-feira, 26: Lula desiste de viajar e, na reta final do primeiro turno, concentra os esforços para levar o candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, ao segundo turno da disputa. Pesquisa do Ibope/TV Globo, divulgada nessa terça, 25, apontava o petista com 18% das intenções de voto e pela primeira vez à frente do candidato do PSDB, José Serra, que aparecia com 17%, embora tecnicamente empatados.

A decisão foi tomada em reunião com o ex-presidente, no Instituto Lula, com as presenças de Haddad, do presidente nacional do PT, Rui Falcão, e de outras lideranças petistas. Os coordenadores da campanha consideraram que, estrategicamente, é melhor para o partido usar o cacife eleitoral de Lula para tentar garantir a presença de Haddad no segundo turno na capital mais importante do País. De acordo com Falcão, Lula gostaria de ir a Recife, Fortaleza e outras capitais em que o PT ou aliados estão na disputa, mas não irá fazê-lo por falta de tempo. "Nessa reta final decidimos que é melhor ele ficar no Estado de São Paulo."

O presidente do PT negou que a decisão tenha sido tomada por conta do mau desempenho do partido em capitais como Recife - o candidato petista Humberto Costa vem caindo nas pesquisas e corre o risco de não ir para o segundo turno. "Continuamos disputando em Recife com chance de ir para o segundo turno, assim como estamos indo muito bem em Fortaleza e Salvador", disse. O secretário nacional de Organização do PT, Paulo Frateschi, elencou entre os fatores que levaram o partido a demover Lula da ideia de viajar a dificuldade para administrar as crises com petistas e aliados. "Se você vai a um lugar, tem de explicar porque não vai a outro. Então, ele não vai a Recife, nem a Fortaleza e fica em São Paulo. Aqui não tem crise nenhuma."

Segundo ele, é possível que Lula participe de comícios em Osasco, Guarulhos e outras cidades da Grande São Paulo e, possivelmente, do interior, mas próximas da capital. Além disso, o ex-presidente continuará gravando mensagens para os candidatos que o procuram. Na presença de Haddad, os petistas discutiram a agenda com Lula até o final da campanha de primeiro turno. "Vamos ter uma série de eventos com ele e, claro, estamos todos animados", disse Haddad. O primeiro evento público dessa reta final está marcado para quinta-feira, 27, à noite. Lula e Haddad têm encontro com estudantes e bolsistas do ProUni na Uninove Memorial, no bairro da Lapa.

Viagens. Depois de ser considerado curado do câncer na laringe e liberado pelos médicos para viagens, no início de agosto, Lula foi ao Rio de Janeiro e participou das campanhas de candidatos petistas em Belo Horizonte (Patrus Ananias) e Salvador (Nelson Pelegrino). Em sua mais recente viagem, subiu no palanque da aliada Vanessa Grazziotin (PC do B) em Manaus. Da capital do Amazonas, o ex-presidente seguiu para agenda institucional na Cidade do México. Na segunda-feira, em comício em Mauá, o ex-presidente revelou que dedicaria mais tempo à campanha de Haddad, mas que ainda iria a Recife, Fortaleza e João Pessoa.

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