Lula descobre ter câncer na laringe

Depois de reclamar de dor de garganta, ex-presidente é diagnosticado com tumor e vai começar amanhã a passar por quimioterapia

O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h02

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi diagnosticado ontem com um tumor na laringe, após passar por exames no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Lula teve alta por volta das 20h15 de ontem e vai começar amanhã o tratamento da doença. O ex-presidente deve passar por três sessões de quimioterapia, com intervalo de cerca de 20 dias - a medicação será aplicada por cateter. Ele vai passar o domingo em casa, em São Bernardo do Campo.

Médicos da equipe que fez o diagnóstico informaram que o estado de saúde do ex-presidente é bom, assim como o prognóstico para o tratamento, que tem duração estimada entre 60 e 90 dias. Ontem, Lula passou por uma biopsia - retirada de uma parte do tumor para avaliação - e, para isso, teve de ser sedado.

"Estamos sendo supertransparentes, a pedido do próprio ex-presidente Lula. O prognóstico para este tipo de câncer é muito bom", disse ao Estado o oncologista Paulo Hoff, integrante da equipe do Sírio-Libanês, hospital onde também foi tratado o linfoma da presidente Dilma Rousseff, em 2009.

Hoff disse que, para preservar a voz dos pacientes, geralmente opta-se pela quimioterapia à cirurgia. "Trata-se de uma conduta-padrão internacional nesses casos. Foi uma decisão da equipe médica, e não do paciente, a fim de se preservar a laringe", explicou o oncologista.

Dores. Lula vinha reclamando há algum tempo de um incômodo na garganta, mas até quinta-feira, quando comemorou 66 anos, não sabia que estava com um tumor na laringe. O cardiologista Roberto Kalil, que participou da celebração, chegou a brincar com o ex-presidente. "De amanhã você não me escapa", disse o médico.

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou que a notícia da doença do ex-presidente deixou todos do governo "abatidos e preocupados". "Mas Lula tem uma energia e uma força muito grande e estamos confiantes que ele conseguirá superar essa fase e tocar a vida", disse Carvalho, que foi chefe de gabinete do ex-presidente e é amigo de Lula há mais de 30 anos. Segundo ele, o tumor não afetou as cordas vocais do ex-presidente.

Ontem à tarde, o assessor de imprensa do Instituto Cidadania, José Chrispiniano, disse que Lula e a mulher, Marisa, foram ao Sírio-Libanês na sexta-feira e retornaram ontem, por volta das 8h30. Segundo ele, o ex-presidente reclamava das dores na garganta há cerca de duas semanas e recebeu o diagnóstico do tumor com tranquilidade.

Visita. Amigos e companheiros do PT pretendiam ver Lula ontem no hospital, mas o próprio ex-presidente e seus auxiliares preferiram evitar as visitas. O único integrante do governo Lula a encontrá-lo no hospital foi o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Eles estiveram juntos por 20 minutos. "O presidente sempre foi um lutador e vai vencer essa doença", disse Mantega, ao sair do hospital. O ministro contou aos jornalistas que não houve metástase do câncer, isto é, nenhuma outra região ou órgão apresentou qualquer anomalia relacionada ao tumor. Também disse que Lula vinha sentindo desconforto na fala, mas acreditava que isso se devia ao ritmo intenso de viagens e palestras.

Dilma divulgou à tarde uma nota de solidariedade a Lula (leia abaixo). A presidente tem agenda oficial em São Paulo, amanhã, e deve aproveitar para ver o ex-presidente. Ela iria encontrá-lo em seu aniversário, mas cancelou a viagem por causa de uma gripe.

O ministro Fernando Haddad (Educação) esteve com Lula na quinta-feira e soube da notícia ontem de manhã. À tarde, em reunião com pré-candidatos do PT à Prefeitura, disse que o ex-presidente "estava muito bem" na quinta-feira. "Vamos estar todos na mesma frequência desta que é a nossa maior liderança".

Manifestações de apoio a Lula também surgiram nas redes sociais. No Twitter, a hashtag #ForçaLula esteve entre as mais citadas do dia no Brasil. / DANIEL BRAMATTI, FERNANDO GALLO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, IURI PITTA, KARINA TOLEDO, PAULO HENRIQUE SOUZA E VERA ROSA

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