Lula defende renovação do partido e nega candidatura

Ao diário espanhol 'El País', ex-presidente também pediu 'democratização' dos meios de comunicação

Jamil Chade, Correspondente / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2013 | 03h04

Em entrevista publicada nesse domingo, 20, pelo jornal espanhol El País. o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a renovação do PT e disse, em tom crítico, que seu partido precisa lembrar de suas origens.

"O PT cumpriu 33 anos de vida", disse Lula na entrevista. "Precisamos dar espaço para uma nova geração." O ex-presidente disse que "carregou pedras" ao construir o partido. "Era maravilhoso. Um grupo mais ideológico, as pessoas trabalhavamde grátis, de manhã, tarde e noite. Agora, você vai fazer uma campanha e todo mundo quer cobrar. Não quero voltar às origens, mas gostaria de que não nos esquecêssemos para que fomos criados. Por que queríamos chegar ao governo? Não para fazer o que os outros fazem, mas para atuar de maneira diferente."

Sobre política, Lula garantiu que não voltará a ser candidato. "Só tenho vontade de sobreviver. Fui operado de um câncer e, graças a Deus, me recuperei."

Questionado sobre acusações de corrupção, o petista afirmou que só há uma forma de não ser investigado no País: "Não cometer erros". O ex-presidente criticou a imprensa: "O que não pode se admitir é que, depois que uma pessoa se submete a um processo e não se descobre nada, ninguém peça desculpas. Por isso me preocupam as condenações a priori."

Lula defendeu mudanças nas leis para "democratizar" os meios de comunicação. "Defendo a liberdade de imprensa. Sou o resultado disso. A imprensa brasileira nunca falou bem de mim, mas nunca me importou. Nunca pedi favores, nem os peço. Quem julga a imprensa são os leitores, o público. Mas em alguns países latino-americanos devemos adaptar as leis aos tempos que vivemos. No Brasil são nove as famílias que controlam os meios de comunicação. O que mudou um pouco o panorama é a internet. Não se trata de entrar no conteúdo, obviamente, mas democratizar, ampliar o acesso."

Protestos. Lula também qualificou como "saudável" a onda de protestos que atingiu o País. "Um povo com fome não tem disposição para a luta", afirmou, ao destacar que "40 milhões de pessoas entraram na classe média". "Em 2007 existiam 48 milhões de pessoas que podiam viajar de avião e em 2013 esse dado aumentou para 103 milhões. O país que produzia 1,5 milhão de carros e agora produz 3,8 milhões."

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