Lula critica 'The Economist' e volta a atacar Aécio

Lula critica 'The Economist' e volta a atacar Aécio

Em ato na capital fluminense, ex-presidente condena agressividade de tucano e diz que nunca foi agressivo nas campanhas que disputou

Tiago Rogero, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 13h19

Rio - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a revista britânica The Economist por ter defendido a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à presidência da República. O petista fez discurso de 20 minutos após desfile em carro aberto no "calçadão" de Alcântara,  área comercial do bairro de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. No ato, em defesa da candidatura de Dilma Rousseff (PT), Lula voltou a criticar a imprensa e, apesar dos ataques que tem feito a Aécio (mais uma vez chamou o candidato de "filhinho de papai"), disse nunca ter sido agressivo até hoje com ninguém nas campanhas que disputou.

"Essa revista teve a pachorra, a desfaçatez de fazer uma matéria dizendo que o povo brasileiro deveria votar no Aécio", disse Lula sobre a The Economist. "Será que essa revista é imbecil? Se os banqueiros querem votar no Aécio, tudo bem. Eles são livres. Mas a Dilma não é a candidata dos banqueiros, do FMI (Fundo Monetário Internacional), do especulador", afirmou o ex-presidente em discurso. "Apesar dessa minha aparência de 30, faço 69 anos no dia 27 (dia seguinte à eleição). Aqueles que gostam de mim, me deem de presente a eleição de Dilma", pediu.

Lula voltou a afirmar que Aécio teria sido violento com Dilma ao chamá-la de leviana no debate do SBT. "Eu fui candidato cinco vezes, vocês nunca me viram na TV ser agressivo com alguém. Porque eu acho que se um homem fosse chamar o outro de mentiroso na cara, era pra sair logo 'no pau'. Será que se ele (Aécio) estivesse disputando com  um homem, ele teria coragem de chamar de mentiroso e leviano, como fez com a Dilma?". "Essa grosseria é de filhinho de papai", acrescentou. "A mesma que a gente vê nas casas com a empregada doméstica, o motorista".

Lula voltou a fazer referência ao seu antecessor na presidência, Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Quando um homem estudado como o FHC, grande sociólogo, fala que quem vota na Dilma é ignorante, é porque ele não conhece mais o Brasil. Porque no Brasil do tempo dele, as pessoas passavam fome". O petista disse ainda ter mandado o FMI "para a casa do chapéu", afirmou que Dilma "vai ganhando as eleições" até agora e criticou a Rede Globo e a imprensa em geral, que "não mostra coisa boa, só desgraça".


O ex-presidente fez o desfile em carro aberto acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), e do candidato derrotado no primeiro turno na eleição para governador, o senador Lindbergh Farias (PT), entre outros políticos. Apesar de apoiar Marcelo Crivella (PRB) no segundo turno, Farias não estava com adesivo de seu candidato - ao contrário de Paes, que não aderiu ao chamado "Aezão" e, além de pedir votos para Dilma à presidência, exibia dois adesivos de Pezão na camisa. Houve muitas provocações entre os militantes de Crivella e Pezão, mas sem confronto. Os dois candidatos não participaram da agenda, mas suas bandeiras estiveram presente por todo o percurso, de cerca de 200m. 

O ex-presidente tem outra agenda marcada para esta tarde, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Segundo seus assessores, Lula volta hoje a São Paulo e não deve acompanhar Dilma no debate de amanhã, da TV Globo.

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