Lula critica PSDB em comício com Haddad

Apesar de Serra e FHC usarem mensalão na campanha contra candidatura petista, ex-presidente evita tema no seu primeiro ato público em SP

O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h01

No primeiro ato público ao lado de Fernando Haddad após o lançamento do candidato petista à Prefeitura, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o PSDB do adversário José Serra, mas ignorou os ataques dos tucanos ao escândalo do mensalão. Sem citar Serra, Lula disse que Haddad "teria feito muito mais pela educação de São Paulo se tivesse um governador que quisesse ajuda do governo federal".

O ex-presidente atacou ainda os "choques de gestão" promovidos por governos tucanos e pediu aos militantes que perguntem a quem empunha "bandeirola com tucano" se têm "medo do melhor" , numa alusão a Haddad. Ignorou, porém, as manifestações recentes do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de Serra sobre o mensalão.

A única referência ao mensalão foi feita pelo locutor da plenária, que pediu uma salva de palmas para o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado pelo Supremo Tribunal Federal por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato.

De microfone em punho, na quadra sindical dos bancários - local onde comandou várias assembleias -, Lula comparou a trajetória de Haddad à da presidente Dilma Rousseff. Contou que "governadores amigos" perguntaram se ele era "louco" quando a indicou para concorrer à Presidência. "Foi preciso apenas um ano e dez meses para Dilma provar que a mulher não quer ser objeto de cama e mesa, não quer ser tratada como objeto de segunda categoria", afirmou.

O ex-presidente relatou que, quando cogitava indicar Haddad, correligionários rejeitavam o ex-ministro e lhe diziam que ele nem os cumprimentava. Lula afirmou que respondia que o candidato era "tímido" e tinha "vergonha". "Eu ia inaugurar obras com a Dilma e abraçava todo mundo. Ela ficava num canto e eu falava: 'abraça! aperta!' E ela começou a abraçar e apertar e gostou!"

Periferia. Lula voltará ao palanque no sábado, quando participará dos dois primeiros comícios da campanha de Haddad, um no Capão Redondo e outro no Grajaú, zona sul de São Paulo. A ida à periferia é uma tentativa da campanha petista de retomar votos que migraram para o líder das pesquisas, Celso Russomanno (PRB). Lula, em sua fala, não citou Russomanno.

O PT está preocupado com o grau de conhecimento de Haddad. Menos de 20% do eleitorado declara conhecê-lo "muito bem". Dirigentes da campanha avaliam que muitos eleitores da periferia não assistem ao horário eleitoral porque chegam tarde do trabalho. O comitê de Haddad ainda calibra o volume de ataques a Russomanno porque avalia que ele tem intenções de voto "híbridas", de eleitores egressos do PT e do PSDB. O receio é que críticas devolvam a Serra votos tucanos que migraram para Russomanno.

Lula e integrantes da campanha conclamaram os militantes a irem às ruas para explicar o "verdadeiro projeto de mudança". O presidente da CUT, Vagner Freitas, aliado petista, afirmou: "Não vamos deixar a aventura Russomanno chegar a São Paulo".

Haddad criticou Russomanno por desmarcar a participação em um debate. "Não vamos cair em uma ilusão", insistiu.

Enquanto dosa os ataques a Russomanno, o PT continua a atacar duramente os tucanos para tentar ultrapassar Serra e se consolidar na segunda posição nas pesquisas. No discurso mais contundente de ontem, o coordenador da campanha de Haddad, Antonio Donato, foi taxativo: "A população de São Paulo vai dar um enterro de indigente, como o Serra disse, para ele". / BRUNO LUPION, FELIPE FRAZÃO, FERNANDO GALLO, VERA ROSA

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