Lula critica mídia e cita eventual candidatura

Ex-presidente diz que jornais publicam 'cara de político denunciado, mas não a de banqueiro' e que, se disputar eleição, espera voto de empresários

PARIS, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h05

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a imprensa e disse que, se disputar novamente uma eleição, espera ter o voto de empresários que antes o temiam. As declarações foram dadas em discurso de encerramento de um fórum coorganizado pelo Instituto Lula em Paris. Alvo de acusações do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, o ex-presidente não se aproximou dos jornalistas.

"Quando político é denunciado, a cara dele sai nos jornais de manhã, de tarde e de noite. Mas vocês já viram a cara de algum banqueiro no jornal?", questionou Lula, ao encerrar um discurso de 1h20min sobre a crise econômica mundial. O ex-presidente não mencionou diretamente nenhum tipo de denúncia.

Na mesma fala, Lula disse esperar ter apoio de setores que, antes de seu governo, rejeitavam seu nome. "Espero que, se um dia eu voltar a ser candidato, eu tenha o voto deles que não tive nas outras eleições", afirmou. "Aqui tem empresários que certamente não votaram em mim por medo. Hoje, olho com orgulho, porque eles nunca ganharam tanto dinheiro, cresceram tanto e geraram tantos empregos como no meu governo."

O ex-presidente encerra hoje seu roteiro pela Europa em Barcelona, na Espanha, de onde partirá um dia antes do previsto. A informação foi confirmada pelo estafe do ex-presidente.

Antes do discurso de Lula, o presidente do instituto que leva seu nome, Paulo Okamotto, acusado por Valério de tê-lo ameaçado de morte, também foi crítico à imprensa. Ao ser questionado se lera reportagem sobre suposto "pedágio" cobrado pelo Banco do Brasil de agências de publicidade, conforme relato de Valério à Procuradoria-Geral, Okamotto interrompeu e disse: "Eu não leio jornal p... nenhuma!"

Anteontem, em jantar oferecido pelo presidente da França, François Hollande, à presidente Dilma Rousseff, o secretário especial para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, já havia acusado a imprensa de querer "destruir Lula". / ANDREI NETTO, FERNANDO NAKAGAWA E JAMIL CHADE, ENVIADO ESPECIAL A BARCELONA

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