Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Lula comanda campanha de Dilma em São Paulo, prioridade até início da TV

Ex-presidente vai para as ruas no maior colégio eleitoral do País para melhorar imagem de Haddad e garantir 'escudo de respostas'

Vera Rosa / Brasília, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2014 | 02h02

O comitê da reeleição teme que o desgaste do PT em São Paulo contamine a campanha da presidente Dilma Rousseff, mas a forma de enfrentar a crise provoca novas divergências na equipe. Cansado de aguardar um sinal do comitê de Dilma sobre seu papel na campanha de rua, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu agir por conta própria antes da propaganda política, que começa em 19 de agosto.

Lula já dá prioridade ao maior colégio eleitoral do País para melhorar a imagem do prefeito Fernando Haddad, tirar do limbo o candidato petista ao governo estadual, Alexandre Padilha, e transferir votos para Dilma.

A tática teve início na prática na sexta-feira, em ato pró-Padilha no centro paulistano. O ex-presidente também escalou um cinturão de prefeitos do PT na Grande São Paulo e em cidades do interior para proteger os dois candidatos desta eleição na temporada pós-Copa, quando os olhos do eleitor se voltam para o que ele chama de "vida real".

Sob o comando do prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, coordenador da campanha de Dilma no Estado, o time será o grupo de defesa do PT, recorrendo ao expediente da "pronta resposta" para impedir o bombardeio adversário.

A estratégia foi definida no dia 11, em almoço na casa de Marinho do qual participaram os prefeitos petistas, incluindo Haddad, além de Lula e Padilha.

"Não vamos admitir ofensas pessoais nem baixarias", disse o presidente do PT, Rui Falcão.

Com a economia estagnada e perigo de recessão, Dilma iniciará a campanha numa plenária da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em São Paulo, no dia 31. A escolha é simbólica. Diante dos sindicalistas, no berço do PT, ela vai dizer que, apesar da crise financeira mundial, o governo tem lado e protegeu o emprego e a renda.

Polarização. Será mais um capítulo da estratégia de polarização com o PSDB de Aécio Neves. Antes, na terça-feira, Lula defenderá o legado dos 12 anos do PT no Planalto ao abrir o Congresso da Federação dos Químicos de São Paulo, filiada à Força Sindical, que apoia Aécio.

"Agora estou mais solto e tenho liberdade para falar as coisas que penso e influir na campanha", disse Lula dias atrás a dissidentes da Força que apoiarão Dilma. "Não sou candidato, mas sou militante. Desencarnei."

A "dosagem" de Lula nos palanques, no entanto, divide o comitê da reeleição. Tudo está sendo planejado para não ofuscar Dilma, mas a demora na programação de eventos irrita auxiliares do ex-presidente, que esperam ordens de Brasília. Além disso, não se sabe como será a participação na campanha da ministra da Cultura, Marta Suplicy, que tirou férias no governo. A ex-prefeita enfureceu Dilma ao promover três jantares de apoio ao movimento "Volta, Lula".

A ideia da coordenação da campanha é potencializar a simbiose da dupla, para que Dilma possa fazer comício em Belo Horizonte, por exemplo, enquanto Lula estiver em São Paulo. "Nós dizemos que os dois estão marmorizados", afirmou Padilha.

As dificuldades do PT em São Paulo preocupam o partido, que enfrenta a disputa mais difícil desde 2002, ano em que Lula chegou ao Planalto. Em 2006, quando o então presidente concorria ao segundo mandato, seu índice de intenção de votos, nessa mesma época, era de 44% - o de Dilma está em 36%, de acordo com pesquisa Datafolha.

Em julho de 2010, o então candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, hoje ministro da Casa Civil, tinha 14%, segundo o Ibope.

Com avaliação ruim, Haddad não ajuda Padilha, que patina na faixa de 4%. A fervura desse caldeirão respinga em Dilma, enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera a corrida ao Palácio dos Bandeirantes, já começa a alavancar a candidatura de Aécio no Estado.

Apesar dos problemas, a presidente segue em primeiro lugar, mas já há empate técnico na simulação de 2.º turno com Aécio. O candidato do PSB, Eduardo Campos, ainda não se consolidou como "terceira via", mas sua distância para Dilma diminuiu, em duas semanas, de 13 para 7 pontos em um eventual 2.º turno.

Para Campos, Dilma precisa "sair de trás do marqueteiro" e ir para as ruas mostrar o que fez. "A gente procura no Brasil real e não encontra esse governo de quatro anos", atacou o candidato, poupando Lula. A exemplo de Aécio, Campos montou seu comitê central em São Paulo, onde PSDB e PSB estão juntos na corrida estadual e podem atacar os candidatos do PT.

"É natural que Eduardo queira usar quem está em primeiro lugar nas pesquisas como escadinha", ironizou o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. "O espantoso é ele ter levado dez anos para mudar sua avaliação sobre as realizações do governo, do qual fez parte."

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