Lula chega de bengala e leva discurso até o fim

Na comemoração dos 60 anos do BNDES, no Rio, usou apoio por precaução e ao contrário do habitual não falou de improviso

RIO , , O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h09

De bengala, sem improvisos - diferentemente do habitual, leu um texto preparado com antecedência - e com duro ataque à resposta dos países ricos à turbulência econômica, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem seu primeiro discurso completo desde que se submeteu a um tratamento contra câncer na laringe. "Punem as vítimas da crise e distribuem prêmios para os responsáveis por ela. Há algo muito errado nesse caminho", disse, na abertura do seminário Investindo na África: Oportunidades, Desafios e Instrumentos para Cooperação Econômica, no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição que comemorou 60 anos ontem.

Vestindo blazer escuro, gravata vermelha e calça clara, com os cabelos ralos, aparência frágil e pálido, Lula surpreendeu quem não o via havia tempos: foi a primeira vez em que apareceu usando a bengala. Um interlocutor disse que o ex-presidente apresenta fraqueza nas pernas desde o fim do tratamento de radioterapia, e que chegou a cair em seu apartamento há três semanas.

Segundo sua assessoria, desde o início do tratamento contra o câncer o ex-presidente perdeu 18 quilos e massa muscular. Por isso, tem feito fisioterapia para fortalecer as pernas.

Em 14 de abril, em São Bernardo do Campo (SP), Lula tentou discursar, mas um acesso de tosse o calou após sete minutos. Ontem, leu o texto até o fim, em menos de 20 minutos. "Faz sete meses que não falo. Espero não ter desaprendido", disse, com voz fraca, sentado ao lado de Cabral e do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. "Vou tentar ler o mais devagar possível, para ver se a garganta permite. O discurso não é longo, só vou falar mais devagar."

Após a dificuldade inicial, firmou a voz e foi até o fim, exaltando a cooperação entre Brasil e África. "Em vez de ficarmos paralisados com a crise, que não foi criada nem por brasileiros nem por africanos, precisamos estreitar relações. O Atlântico não mais nos separa, nos une nas mesmas fronteiras, nos banhamos nas mesmas águas." Integrantes da mesa saudaram sua recuperação - Pimentel, Cabral e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Depois, Lula foi cercado por participantes do evento. / LUCIANA NUNES LEAL, WILSON TOSTA e FERNANDO GALLO.

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