Lula chancela aliança do PT com Maluf, e Erundina ameaça abandonar Haddad

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a cúpula do PT paulista foram à casa do deputado Paulo Maluf ontem para oficializar o apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. O prestígio conferido ao ex-prefeito, porém, desagradou à deputada e candidata a vice Luiza Erundina (PSB), que ameaçou abandonar a chapa com o petista. A rebelião de Erundina deflagrou no PT e no PSB ainda durante a noite um movimento para convencê-la a se manter na campanha.

BRUNO BOGHOSSIAN, ESTADÃO.COM.BR, FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2012 | 03h05

O presidente do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, deve ter uma conversa com a deputada hoje. No PT, espera-se que Lula aja para reverter a situação. "Vamos conversar pessoalmente e confortá-la", disse Haddad em entrevista à TV Bandeirantes.

O acordo com o PP dará ao pré-candidato petista 1min35s na propaganda eleitoral na TV. Mas depois que Lula e Haddad posaram para fotos com Maluf, Erundina iniciou uma rebelião: disse não aceitar a aliança e ameaçou abandonar Haddad. "Eu, pessoalmente, não vou aceitar. Vou rever minha posição", afirmou ao site da revista Veja.

Ao Estado no sábado, ela afirmou que se sentia "desconfortável" com Maluf, mas ponderou: "Com todas as críticas que se pode fazer aos governos Lula e Dilma, foram governos voltados para a maioria, mesmo que isso tenha exigido certas concessões. A política é real."

Ontem ela disse ter conversado com Haddad no domingo. Relatou que o petista afirmara não ter fechado totalmente a aliança com Maluf. O acordo eleitoral entre o PP e o PT, no entanto, estava acertado desde a quinta-feira à noite.

Um líder petista disse que Erundina se sentiu desprestigiada por Lula. Na sexta, o ex-presidente não foi ao encontro que oficializou o apoio do PSB ao PT e confirmou a vaga de vice - ele havia sido internado para a retirada de um cateter e teve alta somente um dia antes.

Reunião. Segundo petistas, Lula foi ontem à casa de Maluf a fim de atender a uma exigência de última hora do deputado do PP. Os dois partidos reuniram seus principais líderes de São Paulo, então, para oficializar a aliança e posar para fotos. A imprensa esperou do lado de fora, atrás do portão.

O deputado, sorridente, afagou o pré-candidato e o ex-presidente, que pareciam constrangidos. Além de Haddad e Lula, o PT compareceu com seu presidente nacional, Rui Falcão, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, e o vereador Chico Macena.

Depois da formalização da aliança, que foi costurada pelos comandos nacionais dos dois partidos, Maluf evocou a participação do PP no governo da presidente Dilma Rousseff para justificar sua desistência de apoiar José Serra (PSDB), com quem já estava praticamente fechado.

A aliança se consumou após o governo ceder um cargo no Ministério das Cidades a um apadrinhado de Maluf - o deputado nega ser ligado ao indicado.

"Quem tem as melhores condições de resolver os problemas (de São Paulo) é um candidato que tenha parcerias com o governo federal", disse Maluf. "É o nosso candidato porque eu amo São Paulo", afirmou o deputado.

Haddad repetiu o discurso sobre a proximidade no governo federal e disse que sua união a Maluf é um "pacto pela cidade".

"Estivemos em campos opostos no passado. Nem ele está negando. Se há uma proposta para mudar a cidade, não vejo por que não contar com os partidos da base aliada do governo Dilma", afirmou o petista.

Maluf evitou rebater Erundina sobre seu apoio a Haddad. "Eu sucedi Erundina. Ela foi uma boa prefeita", disse Maluf.

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