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Lula 'calmo' vê Marta atacar adversários

No 1º comício com Haddad, ministra chama Russomanno de 'lobo em pele de cordeiro'; ex-presidente ignora reportagem sobre mensalão

VERA ROSA, BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h06

No dia em que declarações atribuídas ao empresário Marcos Valério jogaram mais combustível no escândalo do mensalão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preferiu ignorar a polêmica e centrar fogo nos adversários do PT em São Paulo, em especial o tucano José Serra. No primeiro comício em que Lula dividiu o palco com o candidato do partido, Fernando Haddad, coube à ex-prefeita e hoje ministra Marta Suplicy (Cultura) fazer ontem o discurso mais agressivo contra o líder das pesquisas de intenção de voto, Celso Russomanno (PRB).

Ao discursar no ato em Capão Redondo, zona sul da capital, Lula disse que o tucano está muito agressivo e "pode morrer de enfarte". O ex-presidente não citou o nome de Serra, mas ninguém teve dúvida sobre quem ele se dirigia quando se referiu ao "cidadão que já foi prefeito, mas na primeira chuva de verão correu".

Diante da estratégia traçada pela campanha de Haddad, que pediu para Lula se preservar após a publicação de reportagem da revista Veja em que Valério teria apontado o ex-presidente como "chefe do mensalão", Marta fez o discurso com as críticas mais contundentes do comício. Ela chamou Russomanno de "lobo em pele de cordeiro" e "pilantra" que usa a boa-fé do povo para fazer negócios.

"Aquele candidato que está lá em cima nas pesquisas tem de ser desconstruído. Ele é lobo em pele de cordeiro, gente. Ele faz negócios. Vocês têm que entender que é pilantragem", acusou Marta. A ministra disse que Russomanno "faz comércio com a angústia e a infelicidade do povo" e pediu apoio a Haddad. Ao se referir ao adversário do PRB, sempre chamado de "aquele outro candidato", Marta disse que é preciso "desconstruir a imagem dele".

Preocupação. No palanque montado numa rua chamada Solidariedade, diante de 4 mil pessoas (segundo os organizadores), Lula disse que o PT é o único partido que ainda faz comícios na periferia. "Os nossos adversários se incomodam com o PT porque, nessa altura do campeonato, ainda tem coragem de promover comícios em praça pública. Os outros preferem caminhadas ou carreatas."

Lula admitiu estar "um pouco preocupado" com a reta final da campanha por não ver propaganda de Haddad nas ruas e pediu empenho dos militantes para levar o candidato ao segundo turno - Haddad está tecnicamente empatado com Serra nas pesquisas. "A gente não pode se acomodar e achar que o programa eleitoral de TV vai resolver tudo", comentou Lula. "A gente tem de levantar de manhã e não ter vergonha de bater na casa do vizinho. Se ele não se decidiu, vamos convencê-lo. Faltam só 24 dias."

Haddad pediu aos petistas que não se deixem abater pelo "nervosismo" de Serra e lembrou que a presidente Dilma Rousseff "sofreu" ao disputar a eleição com o tucano em 2010. "Dilma comeu o pão que o diabo amassou com esse homem."

Dirigentes da campanha de Haddad devem se reunir hoje para decidir a estratégia em relação à reportagem de Veja. A Executiva Nacional do PT tem reunião amanhã, em São Paulo.

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