Lula assume campanha de candidata do PT em Natal

Ao fazer isso, presidente nacionalizou campanha, comprou briga com aliados e rachou os partidos de sua base

Cida Fontes, enviada especial do Estado,

19 de setembro de 2008 | 18h11

Ao assumir de forma ostensiva a campanha da candidata do PT, Fátima Bezerra, à prefeitura de Natal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nacionalizou a campanha, comprou uma briga com aliados e rachou os partidos de sua base política no Rio Grande do Norte. "O presidente tem todo o direito de apoiar quem quiser, mas só espero que ele tenha senso de discernimento para participar da campanha como cidadão e não como presidente da República ou do PT", reagiu a candidata do PV, deputada estadual Micarla de Sousa, que, apesar de enfrentar a estrutura das máquinas federal, estadual e municipal, lidera as pesquisas de intenção de voto. Enquanto Lula patrocinava a aliança entre os contrários da política potiguar - PT, PMDB e PSB - Micarla se associava ao DEM, que faz oposição cerrada a Lula no plano nacional. Sua campanha é sustentada por cinco partidos da base aliada (PV, PTB, PR, PP, PMN). Irritados, os deputados federais cobraram recentemente uma interferência do ministro de Relações Institucionais, José Múcio, filiado ao PTB. Foi em vão, a aliança se consolidou e Micarla ficou isolada. Lula, por sua vez, se transformou no maior garoto-propaganda de Fátima Bezerra, aparecendo nas inserções e nos programas no rádio e TV pedindo votos para a companheira. "A campanha está federalizada e causando constrangimento para nós. É como se estivéssemos disputando a presidência da República", afirmou o presidente do PR, deputado João Maia, seguindo na mesma linha do presidente da Assembléia Legislativa, Robson Faria (PMN). Dos oito deputados federais do Rio Grande do Norte, seis são integrantes da base aliada e três não apóiam Fátima Bezerra, mas sim Micarla. A presença forte de ministros do PMDB e do PT em Natal para reforçar a campanha da petista não agradou aos aliados de Micarla. "Se eles continuarem vindo depois das eleições, Natal vai virar uma Suíça", ironizou João Maia. Micarla, de 38 anos e dois filhos pequenos, tem popularidade em Natal e sabe usar a comunicação - herdou de seu pai a TV Ponta Negra, repetidora do SBT. "O presidente Lula veio a Natal contrariando suas próprias palavras", atacou Micarla, ao destacar a promessa que Lula fez aos aliados: ficar fora da campanha onde a base aliada não estivesse unida. "Desejo que o presidente seja responsável", cutucou a candidata do PV, afirmando que, caso seja eleita, não aceitará retaliações por parte dos governos federal e municipal.  Micarla sempre esteve politicamente com a governadora Wilma de Faria, do PSB, que agora está apoiando a candidata petista. E, segundo disse, continua votando a favor de Wilma na Assembléia Legislativa. Mas em relação ao prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, do PSB, primo do senador Garibaldi Alves e do deputado Henrique Eduardo Alves, ambos do PMDB, o rompimento perdura há dois anos. Após ser eleita vice-prefeita de Carlos Eduardo, em 2004, com apoio de Wilma de Faria, Micarla brigou com ele, deixou a prefeitura e se elegeu deputada estadual em 2006.  Ao se juntar ao DEM, Micarla passou a ser qualificada de "oposição" pelos adversários políticos. Mas não se intimida com os ataques nem com o acordo com o líder do DEM, senador José Agripino. "A experiência política e administrativa do DEM em Natal só ajudam", afirmou se referindo a Agripino, que já foi governador do Estado.

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