Lula age como presidente em discurso no Maracanã

Em agenda secreta, petista visita obras do estádio com o governador, se recorda dos tempos de sindicalista e usa a 1ª pessoa: 'Nós governantes'

LUCIANA NUNES LEAL / RIO , O Estado de S.Paulo

01 de março de 2013 | 02h09

O petista Luiz Inácio Lula da Silva teve uma recaída ontem e encarnou o papel de presidente da República apesar de ter deixado o Planalto há dois anos e dois meses. Ao visitar as obras do Maracanã, ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB) e do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), Lula discursou para operários sobre os dez anos da gestão petista no governo federal e mencionou as baixas taxas de desemprego no País.

A programação secreta, não incluída nas agendas do governo do Estado, só se tornou pública após a divulgação de fotos pelo Instituto Lula. "Nós governantes, nós empresários temos que compreender que a democracia só será consolidada definitivamente quando trabalhadores tiverem um padrão de vida decente e digno. O presidente do sindicato sabe o que são as conquistas de hoje e as de dez anos atrás. A vida do povo pobre está melhorando a cada dia", discursou. O áudio do discurso também foi divulgado pelo Instituto Lula.

"Estamos vivendo a menor taxa de desemprego do País. Na medida em que cresce a taxa de emprego, crescem as reivindicações." O ex-presidente recordou episódios da vida de líder sindical e citou a intermediação de Cabral para acordo entre a concessionária responsável pelas obras do estádio e operários. Os trabalhadores ameaçavam fazer greve, mas desistiram após parte das reivindicações serem atendidas.

Lula visitou o estádio em meio a suspeitas de atraso no cronograma de obras para a Copa das Confederações (em junho), como informou reportagem do Estado em fevereiro. Desde dezembro passado as visitações públicas e o acesso da imprensa ao estádio estão proibidos. A informação mais recente do consórcio é de 87% da obra concluída.

O vice-governador disse que Lula "sempre teve vontade de visitar as obras". Segundo Pezão, o ex-presidente passeou pelo gramado, visitou os camarotes e o centro de comando e controle.

Cercado por operários, muitos deles registrando a presença ilustre com os celulares, Lula prometeu assistir ao jogo de reinauguração do estádio - Brasil e Inglaterra. Ele elogiou a iniciativa do governador Sérgio Cabral de oferecer ingressos para que os operários possam participar da reabertura do Maracanã. "Vocês vão entrar pela porta da frente, não estarão de penetra, estarão de cabeça erguida, dizendo 'fui eu que fiz'", disse Lula.

O ex-presidente criticou análises pessimistas de que o Brasil não tem condições de sediar uma Copa. "Até há seis meses a gente ouvia dizer 'a Copa do Mundo vai ser um fracasso, o Brasil não está preparado'. Eu digo: 'Nunca mais ousem duvidar da capacidade dos trabalhadores da construção civil desse País, que vão construir os melhores estádios'", discursou.

A assessoria de Cabral alegou razões de segurança para vetar o acesso da imprensa à visita do ex-presidente, que aconteceu entre 7h15 e 8h30. Como não haveria cobertura jornalística, segundo a assessoria, a visita foi omitida da agenda do governador.

Na semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que Lula virou o "presidente adjunto" do Brasil. O tucano referiu-se às intensas articulações do petista para cimentar o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

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