Lula age como 'líder de facção', diz Aécio

De olho nas eleições de 2014, senador tucano acusa ex-presidente de 'manchar a própria biografia' ao defender os réus do mensalão

VANNILDO MENDES, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2012 | 03h04

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) acusou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de agir "como líder de facção" e de manchar a própria biografia ao defender réus do mensalão e atacar a oposição "de forma extremamente agressiva" nos palanques eleitorais. De olho na eleição de 2014, Aécio fez um périplo ontem por cidades nordestinas, como Maceió e Salvador, ao lado de candidatos tucanos à prefeitura.

"O que estamos percebendo é que o lulismo da forma que existia, quase messiânico, que apontava o dedo e tudo seguia na mesma direção, não existe mais", disse ontem o senador, para quem os ataques de Lula não têm surtido o efeito que ele desejava.

Aécio deu resposta às declarações ácidas de Lula contra os tucanos nos palanques eleitorais, principalmente em São Paulo - anteontem, em ato com estudantes, o ex-presidente, indiretamente, falou sobre "compra de votos" para reeleição de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), num ataque aos tucanos.

Segundo Aécio, esses ataques mostram "desespero" de Lula. O senador afirmou que, ao agir com virulência, Lula "está abdicando da condição de ex-presidente de todos os brasileiros para ser um líder de facção".

Ele disse que a tática tem surtido efeito inverso, como no caso de Belo Horizonte, onde Lula também fez ataques ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Parece que o incomoda ainda bastante a figura do ex-presidente FHC, mas sua ida não alterou as pesquisas em Minas."

O senador criticou também o candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, que o chamou de despreparado para ser presidente da República e o aconselhou a ler mais - um livro por semana, ao menos. "Acho que ele passou ali um recado ao presidente Lula (que não tem curso superior e tem fama de ler pouco). Ele não me parece satisfeito com o apoio do ex-presidente", observou o tucano, lembrando que, apesar do "tsunami de recursos financeiros investidos", a campanha de Haddad não deslanchou.

Aécio disse que preferia ser lembrado por Haddad com mais gentileza. "Achei que ele fosse me cumprimentar por ter levado Minas Gerais, com mais de 850 municípios, a ser, segundo o Ideb (indicador do governo), o Estado que tem a melhor educação fundamental do Brasil", observou. "Se ele me perguntasse a receita, eu lhe diria: é humildade e competência, duas características que ele não demonstrou ter. É uma oportunidade de ele perceber que, para avançar na vida pública, não basta apenas um padrinho político."

União de forças. As ações de Aécio têm duplo objetivo: de um lado, ele dá impulso nas candidaturas de tucanos à prefeituras do Nordeste e de outro fortalece seus laços políticos regionais para uma eventual candidatura presidencial. Em Alagoas, ele fez uma carreata pelas principais ruas de Maceió ao lado do candidato tucano Rui Palmeira, líder nas pesquisas, e depois seguiu para Arapiraca, onde o candidato do partido, Rogério Teófilo, encontra dificuldades.

Em Salvador, onde desembarcou horas depois, Aécio participou de eventos de apoio a candidaturas do DEM em Salvador e Feira de Santana - cidades nas quais o DEM começou as campanhas na liderança, mas que registram crescimento das candidaturas petistas na reta final. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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