Amanda Perobelli/Reuters
Amanda Perobelli/Reuters

Lula admite que, se eleito, negociará propostas com o Centrão no Congresso

Para o ex-presidente, é preciso ‘conversar com essas pessoas’ para ‘construir maioria’ e aprovar ‘projetos de interesse do governo e da sociedade’; grupo de partidos apoia Bolsonaro no Legislativo

Natália Santos, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2022 | 16h00

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato pelo PT à Presidência, admitiu, nesta terça-feira, 23, a possibilidade de ‘conversar’ com o Centrão para ter maioria no Legislativo, caso vença as eleições de 2022. A afirmação foi feita dois dias após o petista criticar a atual legislatura ao classificá-la como "talvez o pior Congresso na história do Brasil".  Após pressão de parlamentares, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reagiu. Disse que a declaração de Lula é “deformada, ofensiva e sem fundamento, fruto do início da disputa eleitoral que faz com que seja ‘interessante’ falar mal do Parlamento”.

“Ninguém consegue governar sem a construção de uma maioria do Congresso Nacional para votar os projetos de interesse do governo e, eu espero, da sociedade brasileira”, disse o petista em entrevista à Rádio Som Maior, de Criciúma (SC). “Qualquer presidente da República eleito democraticamente tem que conversar com essas pessoas independente de gostar ou não, tem que conversar em função dos projetos que você manda para o Congresso Nacional, de interesse do povo brasileiro, da indústria nacional, do sindicalismo…”

Mesmo valorizando a aproximação com o Legislativo, Lula ressaltou o limite dessa relação. Relembrou o mecanismo do orçamento secreto, relevado pelo Estadão. “Agora o que não dá é para você ver o Congresso funcionando da forma como está hoje ,com o orçamento secreto, que permite um poder tamanho ao Congresso Nacional em detrimento do papel que tem o presidente da República”, disse.  O Centrão, grupo de partidos de baixa nitidez ideológica e focado em cargos e verbas, sustenta no Congresso o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, é do Progressistas, um dos partidos dessa aliança informal.

Embora o orçamento secreto tenha surgido no governo de Jair Bolsonaro, a gestão de Lula também foi marcada por escândalos envolvendo o Legislativo. Um deles foi o Mensalão, esquema de compra de votos de parlamentares, divulgado em 2005. O mecanismo foi revelado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB). Segundo ministros do STF, foi chefiado pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu, com a ajuda do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e do operador Marcos Valério.

Lula pede regulação de TV e internet

Lula também afirmou que em algum momento “a sociedade brasileira vai fazer uma regularização”, sobretudo na televisão e na internet. “Você não vai regular jornal e revista, porque isso são livros”, afirmou. “Agora, quando você tem a internet funcionando com tanta fake news, em algum momento a sociedade vai ter que fazer esse debate e ter uma regulação.”

Mesmo com o anúncio final da filiação do ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) ao PSB, partido próximo ao PT, o petista não mudou  seu discurso sobre a possibilidade de uma chapa Lula-Alckmin para as eleições de 2022. Segundo Lula, após sua decisão sobre concorrer à Presidência e a filiação de Alckmin, os partidos vão conversar para decidir o caminho a seguir.

“Estou convencido de que podemos construir algo grande para o País. Se o Alckmin for o meu vice, vejo que será um grande benefício para o Brasil", disse.

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