'Luizinho ficou aliviado', afirma advogado

O criminalista Pierpaolo Bottini, que defende Professor Luizinho, avalia que a absolvição de seu cliente revela que o fato de um acusado ser político não basta como justificativa para sua condenação. "É interessante o detalhe de o líder do Governo na Câmara ser inocentado, mostra que o sistema não era tão grande como tem se mostrado."

O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2012 | 03h11

Luizinho exerceu o papel de líder em 2003, auge do mensalão. Na sessão de ontem, o petista teve 7 votos a favor de sua absolvição, inclusive do relator, ministro Joaquim Barbosa. "Estamos vivendo a demonização do político, tudo cola, tudo se presume, qualquer acusação pega", adverte o advogado. "A decisão com relação ao Professor Luizinho deixa claro que o fato de (o réu) ser um político não significa que tenha participação em qualquer esquema dito ilícito."

Bottini afirma que o ex-deputado "não traiu a vontade do eleitor, mas viveu o calvário".

Luizinho, que hoje se dedica a uma empresa de consultoria privada, tentou reeleger-se deputado federal e, depois, vereador em Santo André. Fracassou nas duas oportunidades. "É claro reflexo do processo do mensalão", avalia Bottini, que telefonou para o petista, a quem comunicou o triunfo na Corte. "Ele (Luizinho) ficou aliviado com a reparação. Foi massacrado durante sete anos, agora pode olhar nos olhos do eleitor e da família."

Bottini disse que estava apreensivo, embora confiante em um veredito favorável. A ação penal 470 mostra que José Nilson, assessor de Luizinho, sacou R$ 20 mil do Banco Rural. Nilson alegou que pediu o recurso a Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, para compra de camisetas de campanha. "Luizinho não sabia da existência desse dinheiro", afirma o advogado.

A defesa do ex-ministro Anderson Adauto demonstra preocupação com a possibilidade de um empate - até aqui, o STF deu cinco votos pela absolvição e dois pela condenação. Faltam três votos. "Se houver empate tem que prevalecer a decisão mais favorável ao réu, pelo princípio da presunção da inocência", pondera o advogado Roberto Pagliuso, defensor de Adauto. "Não se pode criar uma maioria artificial para condenar. O voto de minerva é utilizado quando o presidente (do tribunal) não vota."

Para Roberto Pagliuso, os cinco votos favoráveis confirmam o relato de Adauto. "O Ministério Público não fez prova de que ele tivesse ciência da origem do dinheiro que foi usado para quitar despesas de campanha." / FAUSTO MACEDO

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