Luiz Pagot admite ter se encontrado com dono da Delta

À CPI de Cachoeira, Pagot diz que teve reunião com Fernando Cavendish na casa de Demóstenes em 2010

EUGÊNIA LOPES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h10

Principal acionista da Delta Construções, o empresário Fernando Cavendish apareceu ontem pela primeira vez envolvido diretamente com o ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) em negócios da empreiteira com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Em depoimento à CPI do Cachoeira, o ex-diretor do Dnit Luiz Antonio Pagot afirmou que se reuniu com Cavendish, em fevereiro de 2011, na casa de Demóstenes. O depoimento de Cavendish à CPI está marcado para hoje, mas ele deverá ficar calado.

Depois de garantir não conhecer o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Pagot contou à CPI que participou de dois jantares na casa do senador cassado. O primeiro encontro ocorreu no fim de 2010, entre novembro e dezembro. No segundo encontro, além de Cavendish, estavam outros diretores da Delta, como Cláudio Abreu, então diretor da Região Centro Oeste.

Segundo Pagot, Demóstenes quis saber se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), nas etapas 1 e 2, iria ter recursos suficientes para tocar as para as obras. Depois, o ex-senador levou Pagot para uma sala reservada, longe de Cavendish, para pedir ajuda para a Delta.

"Demóstenes me convidou para uma sala reservada e disse: tenho dívidas com a Delta, que apoiou a minha campanha, e preciso de alguma obra com o meu carimbo", relatou Pagot. "Respondi que não podia atendê-lo, que não poderia ir ao mercado e dizer: Reserve uma obra à Delta", afirmou o ex-diretor do Dnit. Segundo ele, Demóstenes teria mostrado interesse em duas obras em Mato Grosso, nas BR 242 e BR 080.

Durante o depoimento de cerca de oito horas, Pagot afirmou que desconhecia as relações da empresa Delta com o esquema do bicheiro Cachoeira. Ele disse que não tinha conhecimento do envolvimento de Demóstenes com o contraventor.

Pagot revelou que parlamentares o procuravam no Dnit com interesse em obras. Ele citou o deputado Wellington Fagundes (PR-MT). Disse que ele era "zeloso nas obras para o Estado e também nas obras da Delta".

Demonstrando nervosismo no início do depoimento à CPI, Pagot afirmou sentir-se 'isolado, abandonado e um morto-vivo' depois que foi afastado do Dnit, em julho de 2011. Fez questão de dizer logo no início que foi para o governo em 2007 a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cachorro morto. "Não veio ninguém do PT e nem do governo porque já sabiam que não iria acontecer nada", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS). "Ninguém bate em cachorro morto",

Dono de empresas abastecidas com recursos da Delta sob suspeita de serem fantasmas, o empresário Adir Assad compareceu à CPI munido de um habeas corpus para permanecer calado. Hoje, a CPI irá ouvir também o depoimento de Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa.

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