Lu Alckmin: A agenda cheia, e mais cara, da primeira-dama

Lu Alckmin: A agenda cheia, e mais cara, da primeira-dama

Dona Lu, mulher do governador, terá em 2014 R$ 36 milhões para o Fundo de Solidariedade

Isadora Peron e Ricardo Chapola - O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2013 | 02h02

Eventos beneficentes, encontros com primeiras-damas, viagens a cidades do interior paulista. A primeira-dama do Estado de São Paulo, Lu Alckmin, cumpre uma agenda intensa como presidente do Fundo Social de Solidariedade. Em média, são três compromissos por semana.

Desde junho, o ritmo aumentou e é provável que assim permaneça até o ano que vem, quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB) estará em plena batalha eleitoral para se reeleger. E o aumento não será apenas na quantidade dos compromissos, mas também nos gastos que eles representarão para o governo: o orçamento de 2014 prevê para essas viagens e inaugurações R$ 36,6 milhões, cerca de R$ 7 milhões a mais do que o estimado para este ano. Os investimentos devem ajudar no custeio das 56 escolas de Construção Civil, novidade prevista pela pasta para o ano que vem. É um dos 4 projetos do Fundo de Social de Solidariedade, voltado para a qualificação profissional.

Dona Lu, como costuma ser chamada, é considerada um cabo eleitoral importante pelos auxiliares do governador. Na campanha de 2010, ela cumpria agendas paralelas às de Alckmin e, muitas vezes, chegava em casa mais tarde que o próprio marido. Mas esse trabalho no Fundo de Solidariedade "não tem nenhuma relação com o calendário eleitoral", garantiu Dona Lu, por sua assessoria, quando questionada a respeito pelo Estado.

Além de viajar pelo interior paulista, ela costuma receber as primeiras-damas municipais no Bandeirantes. Só em 2013, foram mais de 15 reuniões. A primeira-dama segue uma fórmula adotada nos anos 1980 por Lucy Montoro, mulher do governador Franco Montoro, que trocou o assistencialismo por iniciativas como os cursos profissionalizantes. O movimento prosseguiu com dona Lila Covas, mulher de Mario Covas.

Padarias. Com a morte de Covas em 2001, Alckmin assumiu o governo e dona Lila deixou a presidência do Fundo para dona Lu. Um dos primeiros programas criados por ela foi o das padarias artesanais - curso que ensina a fazer dez tipos diferentes de pães, classificados por dona Lu como "nutritivos e saborosos".

A menina dos olhos da primeira-dama, este ano, chama-se "Escola da Beleza". Oferece cursos de assistente de cabeleireiro, manicure, depilação e maquiagem. O plano de inaugurar 28 unidades pelo Estado, em 2013, foi completado por dona Lu no dia 21 de novembro. Ela participou pessoalmente da entrega desses serviços.

A liturgia desses eventos é sempre a mesma. A primeira-dama costuma ir de carro ou no helicóptero do governador. Faz discurso, cumprimenta as alunas, tira fotos com quem quiser, sempre com um sorriso no rosto. Consegue, muitas vezes, conquistar até a oposição.

A prefeita de Itararé, a petista Cristina Ghizzi, por exemplo, é só elogios à primeira-dama. A cidade foi a única administrada pelo PT escolhida para receber uma dessas escolas. "Ela tem demonstrado muito boa vontade. Está sempre alegre, sempre disposta à conversa. É uma simpatia", afirma Cristina - que conta que 25 das 37 formandas da primeira turma do curso já haviam conseguido emprego.

Das 28 unidades inauguradas este ano, 20 são em cidades comandadas pelo PSDB ou partidos da base aliada de Alckmin. A assessoria do Fundo de Solidariedade garante que os critérios para escolher as cidades são técnicos e não políticos. "São absolutamente técnicos. Não há qualquer relação com partidos. Os municípios que se interessaram pelo Polo tiveram que cumprir as exigências técnicas para instalação do projeto - por exemplo: disponibilizar local adequado para as aulas e para instalação dos equipamentos", diz a nota da assessoria.

Um dos quesitos é o tamanho da cidade. O Fundo diz ter como estratégia levar os projetos a municípios pequenos. "Na seleção dos municípios, optou-se pelas cidades menores, para que as grandes cidades tivessem que enviar representantes às cidades pequenas para se capacitarem e, desta forma, ajudar no desenvolvimento destas", explica a assessoria.

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