Londres afirma que deter brasileiro no aeroporto foi 'legal'

A Grã-Bretanha argumenta, na ONU, que a prisão do brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, foi realizada "dentro da lei" e que o suspeito "sabia" que estava carregando material roubado. Há cerca de um mês, Miranda foi detido por horas no aeroporto de Londres, quando fazia escala entre Berlim e o Rio de Janeiro.

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2013 | 02h05

O caso foi denunciado por grupos de direitos humanos e associações de jornalistas. Greenwald afirmou que se tratava de "intimidação", por ele ter revelado informações de Edward Snowden, o ex-agente americano que delatou uma vasta rede de espionagem de seu país.

"Recusamos a acusação de que Miranda foi detido para intimidar jornalistas. Ele era suspeito de uma ofensa criminal. Carregava mais de 50 mil documentos roubados com informação sensível", declarou a embaixadora britânica na ONU, Karen Pierce. "A exposição desse material teria afetado a vida de pessoas e colocado em risco a segurança nacional." E Miranda "sabia que carregava material roubado".

A diplomata afirmou, ainda, que a Grã-Bretanha é "exemplar" no que se refere à liberdade de imprensa e que "jornalistas não podem estar acima da lei".

Frank La Rue, relator da ONU para Liberdade de Expressão, evitou fazer comentários. Admitiu, no entanto, que há hoje um "sentimento de medo" entre os jornalistas britânicos.

No Rio, David Miranda disse que não iria falar sobre o episódio - mesmo informado do que disse a diplomata britânica. / J.C.

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