Lobista diz que propina de negócio da Petrobrás pagou campanhas

O lobista João Augusto Henriques disse, em entrevista à revista Época, que operou, em 2009, o recebimento de propina num contrato de venda de uma refinaria argentina para a Petrobrás e repassou o dinheiro para campanha de deputados do PMDB e da presidente Dilma Rousseff em 2010. Henriques afirmou que dez deputados do partido em Minas Gerais e também nas do secretário de Finanças do PT, João Vaccari, que segundo relatou Henriques, teria recebido US$ 8 milhões durante a campanha. O então tesoureiro da campanha de Dilma, José de Filippi Júnior, disse à revista que não conhecia Henriques e garantiu que ele não participou da arrecadação na campanha da petista.

O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h10

"Posso garantir que ele não participou da arrecadação de recursos para a campanha da presidenta, que toda arrecadação foi feita por meio de Transferência Eletrônica Bancária, e que as contas da campanha foram aprovadas pelo TSE", disse.

O lobista afirmou que, em 2009, o ex-deputado do PMDB Sergio Tourinho articulou a compra de uma refinaria argentina pela Petrobrás no valor de US$ 110 milhões. Tourinho era sócio dos lobistas do PMDB, que trabalhavam em parceria com Jorge Zelada, diretor internacional da Petrobras desde 2008 e, segundo afirmou Henriques, apadrinhado do PMDB.

De acordo com Henriques, todos os contratos na área internacional da Petrobras tinham que passar por ele, que cobrava um pedágio dos empresários que se interessavam. O lobista disse que, de 60% a 70% do dinheiro arrecadado dos empresários era repassado ao PMDB, sobretudo à bancada mineira da sigla na Câmara. Toda verba, disse, servia para pagar campanhas ou para enriquecer parlamentares. O que sobrava era dividido entre ele e os outros operadores do PMDB na Petrobrás.

Questionamento. As denúncias de do lobista foram questionadas pelos acusados. Vaccari afirmou que não era responsável pela tesouraria da campanha de Dilma. Segundo ele, "todas as doações ao PT são feitas dentro do que determina a legislação em vigor e de uma política de transparência do PT". A Petrobras informou que não comentaria o assunto.

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