Lobista cita uso de emendas de líder do governo Dilma

Em escuta da Operação Fratelli, acusado comemora 'R$ 50 milhões' que Chinaglia teria para repassar a prefeituras do interior paulista

Fernando Gallo e Fausto Macedo - O Estado de S.Paulo

18 Abril 2013 | 02h07

Relatório da Operação Fratelli mostra que o grupo acusado de fraudar licitações em prefeituras da região noroeste do interior paulista cita emendas do deputado e líder do governo Dilma Rousseff na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT), que poderiam ser usadas no esquema.

Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público, os acusados, entre eles empreiteiros e lobistas, se valiam de emendas parlamentares, de deputados federais e estaduais, para realizar obras nos municípios via licitações dirigidas. A suspeita dos investigadores é que parte do dinheiro enviado às cidades acabava desviada.

Os documentos transcrevem telefonemas de Gilberto da Silva, o Formiga, apontado como "lobista do PT" na região de São José do Rio Preto e denunciado à Justiça pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e fraude em licitações.

Formiga faz frequentes menções a Chinaglia e declara o apoio que teria prestado a dois ex-assessores do petista, candidatos em 2012 na eleição municipal de Ilha Solteira (SP).

O relatório cita outro deputado do PT, José Mentor (SP), que seria próximo de um dos integrantes do grupo sob investigação, Jair Émerson Silva, o Miudinho. Mentor recebeu doação de R$ 550 mil, na campanha de 2010 da empreiteira Demop, do empresário Olívio Scamatti, denunciado como chefe da organização que se infiltrou na gestão de 78 prefeituras.

Grampo de 1.º de outubro, às 16h30, pegou Gilberto contando a um aliado sobre suposto encontro com Chinaglia e Toninho do PT, ex-assessor do petista por oito anos que foi eleito vereador de Ilha Solteira. "Deixa eu falar um negócio para você, o Toninho e o Arlindo estiveram comigo sábado à tarde, rapaz do céu, se você vê o que ele tem do chão preto, já tá tudo na mão, é pra colocar, ele tem uns compromissos."

Recursos. No dia seguinte, às 9h46, Gilberto cai no grampo com "Roberto", de Mirassolândia. Ele diz que se reuniu com Toninho do PT. "Ele (Toninho) disse que dá para pôr um monte de recurso lá." Gilberto completa que "a gente tem um monte de prefeitura na mão" e diz ter "estrutura física e jurídica, acesso em Brasília". Afirma que no fim de semana "carregou o Arlindo para todo lugar na região". "O Arlindo vai ter cinquenta milhões de reais em emendas extraparlamentares prometidos pela presidente Dilma porque ele é líder dela na Câmara", diz o lobista. "Isso dá pra colocar num monte de cidade." Ele relata que "o deputado lhe falou que em cidade pequena pode ser colocada emenda de R$ 130 mil ou até R$ 140 mil e daí foge de licitação". "Dá pra arrumar em um monte de lugar vai ser possível arrumar as emendas."

" Formiga presta serviços a Scamatti, especialmente no que tange aproximação do empreiteiro a diversas administrações municipais, por meio de financiamento de campanhas eleitorais ou mesmo na intermediação de liberação de emendas parlamentares através de sua atuação como lobista do PT", assinala relatório de 20 de setembro de 2012. "É consectário lógico que as emendas provisionadas aos municípios constituirão o reforço financeiro, a posteriori, dos empresários que financiaram, às escuras, campanhas eleitorais."

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