Lobista agia para Alstom e Siemens no Brasil

Consultor é citado como intermediário das duas empresas em negócios com governos

JAMIL CHADE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2013 | 02h05

O cruzamento de documentos da Justiça suíça com aqueles em posse do Ministério Público paulista e da Polícia Federal apontam para um intermediário a serviço da Alstom e da Siemens no Brasil. A suspeita é de que as duas empresas tenham usado o consultor Arthur Teixeira para pagar propinas a agentes públicos a fim de obter contratos.

Na documentação do país europeu, o nome aparece como parte do sistema de corrupção montado pela Alstom. Nos papéis das autoridades brasileiras, ele é citado como contratado pela Siemens para agir em licitações.

Ambas as empresas atuaram em São Paulo, na série de governos do PSDB no Estado iniciada em 1995 por Mário Covas.

Siemens, empresa alemã, denunciou a existência de um cartel para obter contratos tanto em São Paulo quanto no Distrito Federal que, somados, chegam a R$ 1,925 bilhão. Os governos poderiam ter economizado até 30% desse total caso o esquema não tivesse praticamente eliminado a livre concorrência.

Contas. Arthur Teixeira e Sérgio, seu irmão - que hoje está morto -, teriam contas offshore na Suíça para realizar os pagamentos das propinas no Brasil. Diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) são suspeitos de receber dessas offshores na época do governo Covas. Cópias de documentos sobre o tema estão em poder da Polícia Federal.

No caso envolvendo a empresa francesa Alstom, o nome de Arthur Teixeira é citado na investigação tocada pelo Ministério Público suíço como destinatário, em março de 2001, de uma transferência de cerca de US$ 256 mil. O dinheiro foi parar numa das contas offshore.

A transferência seria uma indicação da rota do pagamento da propina, segundo investigadores. Os suíços obtiveram dezenas de documento da multinacional francesa, depois de uma série de intervenções nos escritórios da empresa. A Alstom, na época, garantiu que cooperava com a investigação e que havia passado por uma ampla mudança de comportamento.

Encontro. Além da movimentação bancária, os promotores brasileiros e a PF têm em mãos documento do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no qual os suspeitos de integrar o cartel do trem se encontram com os irmãos Teixeira a fim de definir o resultado das licitações da CPTM S2100 (reforma de 48 trens) e S3000 (reforma de dez trens).

Os irmãos teriam decidido intervir no caso para resolver um conflito criado por um diretor da Siemens que tentou romper o acordo entre as grandes empresas - participavam do cartel nesse caso a Alstom, a CAF, a Mitsui, a Bombardier e Temoinsa.

Ao término do encontro, ficou acertado que a Siemens receberia o contrato S3000 enquanto as demais dividiriam a S2100.

Há quatro dias, a reportagem do Estado revelou que a Justiça de Munique havia confirmado que o dinheiro da Siemens usado para corromper funcionários públicos no Brasil também passava por dois "consultores".

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