Lobby de presidente do TJ paulista chega até a médico de Dilma

Gilberto Miranda pediu apoio de David Uip na articulação para que Ivan Sartori fosse indicado a vaga no STF

O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h08

O ex-senador Gilberto Miranda pediu apoio ao médico infectologista David Uip, que atende a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para articular a indicação de um novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

Miranda, que foi denunciado por corrupção ativa pelo Ministério Público Federal por participação em um esquema de compra de pareceres de órgãos públicos, fazia campanha a favor do nome do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), desembargador Ivan Sartori.

Uip confirmou que Miranda, que é seu paciente, pediu seu apoio pessoal, por telefone, para a campanha de Sartori ao STF. O infectologista negou, no entanto, que tenha conversado com Dilma, Lula ou qualquer político sobre a possibilidade de indicá-lo. "Ele pediu que eu apoiasse o presidente Sartori para o Supremo. Conheço o desembargador, que é um nome de alto nível e que teria todo o meu apoio, mas não fiz qualquer pedido a Lula, Dilma ou qualquer autoridade."

O médico declarou que não se lembra do teor de todas as conversas telefônicas que teve com o ex-senador e que, portanto, não poderia afirmar categoricamente se Miranda pediu para que o médico levasse o nome de Sartori à presidente e ao ex-presidente Lula.

O presidente do TJ-SP procurou Miranda em outubro de 2012 para articular sua indicação ao STF, conforme revelou a edição de ontem do Estado. O desembargador disse que havia sido orientado por um amigo a entrar em contato com o ex-senador, que seria "ligado" ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB).

Sartori conversou com Miranda por telefone e se reuniu com ele duas vezes, do fim de outubro ao início de novembro deste ano. Naquela ocasião, o ministro do STF Carlos Ayres Britto estava prestes a se aposentar, abrindo espaço para a indicação de um novo nome. Dilma ainda não decidiu quem ocupará a cadeira.

O presidente do TJ-SP disse que foi uma vez ao escritório do ex-senador e que participou de um jantar em sua casa com ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e políticos ligados a Miranda para discutir o assunto.

"Alguns amigos sugeriram que eu fizesse um trabalho para ir ao Supremo e me levaram até o Gilberto Miranda, mas nada foi à frente. Não tenho ligação alguma com ele. Eu não o conhecia e nunca o tinha visto antes, mas mantive poucos contatos com ele. Quem me levou foi um ministro do STJ", afirmou Sartori.

Ele declarou que não conhece Paulo Vieira, apontado pelos investigadores como chefe do grupo desmontado na Operação Porto Seguro, e Rosemary Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo. "Estou pronto a prestar qualquer esclarecimento. A minha vida é transparente", disse Sartori.

O desembargador disse que Miranda "se dispôs a fazer um trabalho político" pela indicação de seu nome ao Supremo. Sartori reiterou que discutiu com o ex-senador apenas a possível indicação de seu nome ao STF e afirmou que falou sobre o assunto com outras autoridades. / BRUNO BOGHOSSIAN e FAUSTO MACEDO

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