Lobão Filho recua e afirma agora que vai discutir 'ética'

Depois de afirmar que a ética é "subjetiva" e que os senadores não devem se comprometer com ela, o relator do novo Regimento Interno do Senado, Lobão Filho (PMDB-MA), recuou e vai discutir a inclusão do compromisso no documento.

ANDREZA MATAIS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 02h05

O Estado revelou ontem que o senador rejeitou uma emenda ao atual regimento que previa incluir no juramento da posse "a defesa intransigente da ética". Em entrevista ao jornal na ocasião, o senador justificou que "a defesa da ética intransigente é uma coisa muito subjetiva" e que não via razão para incluir isso no juramento". Segundo ele, isso "daria margem a interpretações perigosas". "O que é ética para você pode não ser para mim. E aí incluir isso iria gerar problema de conflitos ali. A ética é uma coisa muito subjetiva, muito abstrata", afirmou Lobão Filho na entrevista concedida anteontem.

Ontem ele divulgou uma nota oficial na qual prometeu que a questão voltaria a ser discutida e acrescentou: "Julgo que ética e honestidade são implícitas na atividade parlamentar como o ar que se respira". Na nota, o senador afirmou que "o termo ética não consta do atual juramento do Senado bem como não consta no juramento do Presidente da República, dos ministros de Estado, dos ministros do Supremo Tribunal Federal e, inclusive, dos jornalistas".

O senador José Agripino Maia (DEM-RN) defendeu a alteração no texto. "Eu prefiro achar que tenha sido um esquecimento dele (Lobão Filho) no juramento, a palavra ética tem que existir. É um juramento de compromisso com a ética. Ética é ética. Você tem que ser igual a Cézar, tem que ser sério e parecer sério."

Em 2009, o então senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) relatou a primeira tentativa de alterar as regras da Casa. O relatório do tucano acatou a sugestão do então senador José Nery (PSOL-PA) para incluir no texto do juramento da posse o compromisso dos senadores com a ética. O texto atual diz apenas: "Prometo... desempenhar fiel e lealmente o mandato de senador." Como novo relator, Lobão Filho suprimiu a versão que incluía o compromisso com a ética.

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