Lista de autoridades citadas em inquérito vai de Toffoli a Alckmin

Nomes aparecem em diálogos de suspeitos; PF é obrigada a enviá-los a Brasília, mesmo que não sejam investigados

O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h11

A Polícia Federal cita 18 nomes de autoridades com prerrogativa de foro que são mencionadas no curso da Operação Porto Seguro. No relatório de análise 12, que contém a lista de parlamentares, administradores e magistrados, a PF não imputa a essas pessoas nenhum crime - limita-se a copiar e a transcrever citações feitas a elas por integrantes da organização que foram interceptadas durante a investigação.

A Justiça Federal enviou a relação ao Supremo Tribunal Federal, à Procuradoria-Geral da República e à presidência do Congresso para que tais instâncias avaliem se é o caso ou não de determinar abertura de algum procedimento.

A lista da PF não significa que essas pessoas estão sendo investigadas ou que tiveram contato com integrantes da organização. Seus nomes podem ter sido eventualmente citados ou usados pelos integrantes da quadrilha.

O Setor de Inteligência da PF tomou a cautela de não emitir nenhum juízo de valor sobre as autoridades. Também não encaminhou pedido à Justiça para monitorar as autoridades porque se o fizesse poderia provocar a nulidade de toda a operação - apenas se autorizada por tribunais regionais federais ou superiores a PF pode investigar detentores de foro privilegiado.

Na lista que entregou à 5.ª Vara da Justiça Federal a PF menciona até nomes incompletos.

O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, por intermédio de sua assessoria de imprensa, disse que não comentaria o caso porque está em segredo de Justiça. Ele afirmou que "vai colaborar no que for preciso para as investigações". O senador José Sarney afirmou que não tem relação com os investigados. "Habitualmente, indicados para cargos que necessitem de aprovação do Senado, antes da sabatina, visitam senadores, presidente de comissão e o presidente da Casa. Apenas nessa circunstância e naquela ocasião o senhor Paulo Vieira esteve na presidência do Senado", informou a assessoria de imprensa de Sarney.

O deputado Valdemar Costa Neto informou, por sua assessoria, que "não comenta assuntos que estão submetidos aos exames das autoridades judiciais ou policiais". Ele afirmou "ter confiança nos trabalhos das instituições". Não nega ter relação de amizade com Paulo Vieira, mas diz não ter conhecimento dos fatos investigados pela PF.

O ministro Dias Toffoli não se pronunciou. O governo paulista afirmou que Geraldo Alckmin jamais beneficiou o grupo liderado por Vieira. A equipe de Alckmin afirma que ele contrariou os interesses do grupo, ao rejeitar pedido de reconhecimento de utilidade pública do projeto de instalação do porto na Ilha de Bagres. O prefeito Gilberto Kassab não se manifestou.

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