Paulo Pinto/Divulgação
Paulo Pinto/Divulgação

'Ligar Fernando ao mensalão é muito injusto' , diz mulher do candidato

Professora da USP, mulher de Haddad afirma que propaganda de Serra incomoda e que subida de Russomanno foi surpresa

Entrevista com

VERA ROSA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2012 | 03h11

Magra e sorridente, a dentista Ana Estela sempre está ao lado do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad. Professora da USP, casada com ele há 24 anos, Estela, como é mais conhecida, divide até compromissos de campanha com o marido. Caloura nas atividades da política, ela tem energia para cruzar a cidade, como fez nos últimos dias, quando distribuiu panfletos na Casa Verde e visitou um hospital em Itaquera, mas se abate com a vinculação do nome de Haddad aos réus do mensalão.

"É uma coisa profundamente incômoda, desconfortável e muito injusta", diz Estela, numa referência à propaganda do candidato do PSDB, José Serra, que associa Haddad aos personagens do escândalo. "Esse tipo de atuação de Serra nivela muito por baixo a campanha."

Ex-funcionária dos ministérios da Educação e da Saúde, ela admite que o crescimento de Celso Russomanno (PRB) surpreendeu, confessa que a polarização esperada desde o início era com o PSDB, mas acha que ainda dá tempo de virar o jogo contra Serra.

Sua participação na campanha de Fernando Haddad ajuda na conquista do voto feminino?

Possivelmente, acredito que sim. Mas não faço isso por causa do voto. Faço por convicção. O envolvimento vem de uma participação que eu construí ao longo dos anos de trabalho em Brasília, na gestão pública.

Na campanha, o candidato do PT chama a atenção de mulheres, que gritam o nome dele. A sra. tem ciúmes?

Eu acho que já incorporei esse lado. Quando a pessoa tem uma imagem pública, faz parte. Pode ser que tenha uma situação ou outra em que às vezes haja exagero. Aí, a gente é humano, né? Mas eu procuro, na medida do possível, trabalhar para separar as coisas.

A campanha entra agora numa fase mais acirrada para ver quem vai para o 2º turno contra Celso Russomanno (PRB). Nas ruas, quando abordada, como a sra. responde aos ataques do candidato do PSDB, José Serra?

Essas coisas não chegam diretamente para mim. Graças a Deus, nas atividades de rua que tenho feito e nos lugares em que tenho ido as pessoas têm sido muito respeitosas.

A vinculação que o candidato do PSDB tenta fazer com o seu marido, associando o nome dele aos réus do mensalão, incomoda muito a sra.?

É uma coisa profundamente incômoda, desconfortável e muito injusta. O Fernando tem uma história na vida pública, nunca pesou sobre ele nenhuma questão que colocasse em dúvida sua seriedade. Acho que esse tipo de atuação do Serra nivela muito por baixo a campanha. Gostaria muito que a gente estivesse discutindo, como o Fernando tem tentado fazer, o projeto que queremos para nossa cidade. Seria muito mais elevado, contribuiria muito mais. O que importa não são só os resultados da campanha, mas como ela é conduzida. Quando você procura denegrir a imagem de alguém injustamente, em vez de fazer uma discussão sobre a cidade, não está contribuindo para o bem comum.

Essa tentativa de desmoralização ética é o pior da campanha?

Eu acho que é uma das coisas que mais incomodam. Por outro lado, Fernando tem recebido muitas manifestações de apoio. A comunidade israelita tem se posicionado, a própria comunidade árabe se manifestou. Serra tenta fazer colar esse lado, mas não é só isso que tem acontecido. Fernando tem uma proposta muito interessante para São Paulo, que pensa a cidade no longo prazo também. Ele está tranquilo porque vem fazendo uma campanha dentro do que acredita.

A questão religiosa tem sido muito explorada na disputa. Isso traz votos?

Eu acho totalmente inadequado tratar desse assunto na campanha. Religião é uma questão de foro íntimo. O Estado é laico. A mistura de religião e política não combina.

A subida de Russomanno surpreendeu ou a certo momento já era esperada?

Eu não esperava e acho que muitas pessoas também não. Foi uma surpresa. Antes de começar a campanha eleitoral, acho que se entendia que uma maior intenção de voto talvez ficasse com o PSDB, uma coisa histórica em São Paulo. O que fica claro é que a população cansou disso.

Mas o PT também enfrenta dificuldades nessa campanha...

Pelo número de candidatos que estão concorrendo, ainda não houve espaço suficiente para que a população tivesse condições de avaliar todas as plataformas adequadamente.

As últimas pesquisas mostram Serra na frente de Haddad, nessa disputa pela vaga no segundo turno. Dá tempo de reverter esse quadro?

Com certeza. As pesquisas são um termômetro, mas não são o único. Você anda na rua, ouve pessoas. Nas duas últimas semanas é que a população realmente se debruça sobre o assunto e a tendência é a disputa ficar mais acirrada. A gente ouve as pessoas mais experientes, que já passaram por muitas campanhas, e vai entendendo que é assim mesmo.

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