Ligada à corrupção na Petrobrás, Dilma acusa revista de ‘terrorismo eleitoral’

Ligada à corrupção na Petrobrás, Dilma acusa revista de ‘terrorismo eleitoral’

Presidente usa horário de TV para rebater reportagem de ‘Veja’ segundo a qual ela e Lula sabiam de esquema de desvios na estatal e diz que o bjetivo é ‘reverter a decisão popular’; revista sustenta que apuração teve a ‘clareza necessária para publicação’

Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

24 de outubro de 2014 | 14h10

Atualizado às 22h09

A presidente Dilma Rousseff (PT) acusou a revista Veja de promover um “ato de terrorismo eleitoral” ao publicar reportagem segundo a qual ela e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento de um esquema de corrupção envolvendo a Petrobrás. A campanha petista dedicou quase 6 dos 10 minutos do horário eleitoral da TV na tarde de sexta-feira, 24, para responder à publicação que, segundo a presidente, trouxe “falsas denúncias” com a intenção de “interferir” no resultado das eleições.

A revista, que adiantou para sexta a circulação de sua edição do fim de semana, publicou trechos de um depoimento atribuído ao doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, segundo o qual ele teria dito à Justiça Federal que Lula e Dilma sabiam do esquema na estatal. O depoimento, segundo a Veja, foi prestado na terça-feira, na sede da Polícia Federal em Curitiba, como parte do acordo de delação premiada feito entre Youssef e a Justiça. Conforme a reportagem, ele não apresentou provas durante o depoimento. 

No penúltimo programa eleitoral da TV, veiculado no início da tarde, Dilma reagiu à publicação com um discurso inflamado. A petista falou por 3min37s. “Eu gostaria de encerrar minha campanha na TV de outra forma, mas não posso me calar frente a este ato de terrorismo eleitoral articulado pela revista Veja e seus cúmplices ocultos”, afirmou.

No horário eleitoral, a campanha petista atribuiu à reportagem tentativa de “reverter a decisão popular” e destacou o fato de a publicação ocorrer às vésperas da eleição e após a divulgação de pesquisas de intenção de voto apontarem vantagem de Dilma sobre o candidato Aécio Neves (PSDB). “A revista excedeu todos os limites da decência e da falta de ética. (...) A revista comete esta barbaridade, esta infâmia contra mim e Lula, sem apresentar a mínima prova. Isso é um absurdo, isso é um crime. É mais do que clara a intenção malévola da Veja de interferir de forma desonesta e desleal no resultado das eleições”, afirmou a presidente.

Ao encerrar sua fala, a petista prometeu processar a revista. “Darei a minha resposta a eles na Justiça”, afirmou. No programa exibido à noite, o último antes da votação, Dilma não tratou do assunto – que foi abordado apenas por atores que apresentaram o programa. A reportagem foi exibida pela propaganda de Aécio. 

Durante uma caminhada em apoio à campanha de Dilma no centro de São Paulo, o ex-presidente Lula evitou comentários. “O problema da Veja, fala a Veja. Eu não acho nada”, disse. 

‘Grau de informação’. Na introdução da matéria, um texto afirma que a revista “não publica reportagens com a intenção de diminuir ou aumentar as chances de vitória desse ou daquele candidato”, mas “fatos com o objetivo de aumentar o grau de informação de seus leitores”. 

Em nota divulgada no fim da tarde, a revista ressaltou que os fatos descritos na reportagem ocorreram na terça-feira e a apuração atingiu a “clareza necessária para publicação”. “Parece evidente que o corolário de ver nos fatos narrados por Veja um efeito eleitoral por terem vindo a público antes das eleições é reconhecer que temeridade mesmo seria tê-los escondido até o fechamento das urnas.” 

Um grupo com cerca de 20 pessoas realizou na noite de sexta um protesto em frente ao prédio da Editora Abril – que edita a Veja –, na zona oeste de São Paulo. Os manifestantes jogaram papel na entrada do prédio, picharam um dos muros e atiraram pedras. A polícia dispersou o ato pouco depois. Até a conclusão desta edição não havia informações sobre detidos. A Abril informou por meio de sua assessoria que não iria comentar. / COLABORARAM MATEUS COUTINHO, RICARDO CHAPOLA e CARLA ARAÚJO

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