Ligação com bicheiro e crise de energia marcam 2º turno em GO

Acusações entre Perillo, que tenta a reeleição, e Rezende reforçam duelo entre as maiores lideranças do Estado

Pedro Palazzo, Especial para O Estado

25 de outubro de 2014 | 20h26

Os candidatos ao governo de Goiás Marconi Perillo (PSDB), que tenta a reeleição, e Iris Rezende (PMDB) chegam hoje para aquele que deve ser o duelo final entre as duas maiores lideranças políticas do Estado nos últimos 30 anos. Será a sexta disputa entre eles - a se considerar as eleições em 1.º e 2.º turno. Todas anteriores foram vencidas por Perillo.

Aos 51 anos, o tucano tenta manter o ciclo de poder iniciado em 1999, após derrotar Rezende. Já este, aos 80, busca retomar o controle político do Estado usando o mesmo discurso que o abateu 16 anos atrás: o da necessidade de alternância de poder, acompanhado de críticas à gestão atual.

Perillo tem em torno de si 16 siglas, reunidas na Coligação Garantia de um Futuro Melhor para Goiás. Rezende alinhou sete legendas e, no 2.º turno, conquistou o apoio do candidato do PT, Antônio Gomide, que teve 10% dos votos válidos no 1.º turno.

Acusações. A campanha foi marcada por ataques de Rezende a Perillo. O líder peemedebista lembrou, no horário gratuito eleitoral, a relação de integrantes do governo estadual com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, condenado em primeira instância há 39 anos de prisão por formação de quadrilha e corrupção ativa, entre outros crimes. O PMDB também criou um personagem, o Rei Mandão, para enaltecer características atribuídas por eles a Perillo. O tucano, por sua vez, defendia uma campanha limpa, criticava os ataques, que não deixava sem resposta.

As trocas de acusações envolveram a crise energética pela qual o Estado passa. Rezende acusou Perillo de quebrar e federalizar a Companhia Energética de Goiás (Celg). O tucano disse que a empresa ficou em má situação após a venda de uma usina hidrelétrica, realizada em 1997, durante o governo de Maguito Vilela (PMDB), apoiado por Rezende.

A segurança pública também foi tema central na campanha. A prisão de Tiago Henrique Rocha, que confessou ter matado dezenas de pessoas, entre elas diversas mulheres, motivou troca de acusações sobre o uso eleitoreiro do tema. Ambos os candidatos exploraram o assunto: Perillo enalteceu a prisão e criticou o “discurso do medo”. Rezende acusou a demora do desfecho, visto que os primeiros crimes admitidos teriam ocorrido em 2011.

Ibope. A pesquisa divulgada mostra uma liderança de Marconi Perillo (PSDB) na disputa pelo governo de Goiás. Perillo tem 60% dos votos válidos contra 40% de Iris Rezende (PMDB). No levantamento anterior, do dia 21, o resultado era o mesmo.

Considerando os votos totais, Perillo tem 55% das intenções de voto e Iris, 36%. Brancos e nulos são 6% e indecisos, 3%.

A pesquisa Ibope, encomendada pela TV Anhanguera, ouviu 812 eleitores em 40 municípios do Estado entre 23 e 25 de outubro. A margem de erro é de três pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Eleitoral Regional (TRE-GO) sob o protocolo GO-00199/2014. 

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