Líderes querem voto aberto no Senado

PEC que acaba com pleito secreto entra na pauta na véspera do julgamento de Demóstenes Torres

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2012 | 06h40

Às vésperas do julgamento do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido-GO), 9 dos 11 líderes de partidos no Senado se dizem favoráveis à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o voto secreto em plenário para processos de cassação de mandato.

Levantamento feito pelo Estado com as lideranças da Casa revela que, à exceção do PSD, contrário, e do PMDB, que se absteve, os demais querem a mudança. Ontem, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), atendeu aos apelos de um grupo de parlamentares que o vinha pressionando a pôr o assunto em votação desde a semana passada. Sarney anunciou que a matéria entrará na pauta na quarta-feira, dia 13.

Os líderes do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), e do PSDB, Álvaro Dias (PR), afirmam que, se houver vontade política, a matéria poderia ser aprovada pelas duas Casas antes do processo de Demóstenes chegar a plenário, em meados de julho. O senador goiano é acusado de usar seu mandato em defesa dos interesses do contraventor Carlinhos Cachoeira. "Se acelerar aqui (no Senado), dá para levar para lá", disse Pinheiro. "Em menos de um mês, quando o Congresso quer, aprova uma PEC", completou o tucano.

A maioria dos líderes, entretanto, afirma que não é possível aprovar a mudança antes da decisão final sobre Demóstenes. O presidente e líder do DEM, Agripino Maia (RN), e o líder do PC do B, Inácio Arruda (CE), creem que a tarefa é "muito difícil". Da mesma opinião compartilham o presidente e o relator do processo de Demóstenes no conselho, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) e Humberto Costa (PT-PE). Para Valadares e Costa, contudo, seria um gesto importante se ao menos o Senado aprovasse a proposta antes da votação do caso em plenário. "Funcionaria como um gesto de que o Senado está atendendo aos reclamos da sociedade", disse Valadares, que foi relator da matéria a pedido de Sarney. Embora favorável à mudança, o líder do PDT, Acyr Gurgacz (RO), disse que a mudança agora poderia parecer "oportunismo" do Senado. Para ele, o melhor seria discutir a matéria após a votação de Demóstenes.

Única contrária ao voto aberto, a líder do PSD, Kátia Abreu (TO), disse que pensa "pelo lado bom". "As pessoas pensam pela bandidagem, que está a favor dos bandidos. Não, as pessoas têm que estar livres para fazer o seu voto correto. Só uma pequena minoria tem má-fé." Para Kátia, com ou sem voto aberto, a cassação de Demóstenes é certa. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), não quis se pronunciar.

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