Líderes petistas fazem elogios ao prefeito para manter negociação

Haddad afirmou que Kassab era bem-vindo no evento, enquanto presidente do PT não quis falar sobre parceria

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2012 | 03h07

No dia em que completou 32 anos, o PT estendeu o tapete vermelho para um novo aliado: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Durante todo o dia, petistas elogiaram Kassab e tentaram minimizar a fala da senadora Marta Suplicy (PT-SP), no dia anterior, de que não gostaria de "acordar num palanque de mãos dadas com Kassab".

No encontro do PT realizado ontem, em Brasília, o prefeito de São Bernardo do Campo (SP), Luiz Marinho, foi o primeiro a sair em defesa da aliança. "O PT e nenhum partido governam sozinhos", disse Marinho, ao justificar que somente com alianças como a do PSD o partido vai romper a barreira dos 30% na capital.

"O governo Kassab era influenciado pelas políticas do PSDB. Se há um rompimento (com tucanos) e uma aproximação (com petistas), nós temos que receber de maneira positiva", afirmou. Marinho disse acreditar que Marta participará da campanha de Fernando Haddad à Prefeitura paulista, mesmo com a eventual adesão do PSD.

O próprio Haddad se disse surpreso ao ser informado da presença de Kassab no evento. "O Kassab está aqui? Ele é bem-vindo", disse. "Nossa prioridade é manter os entendimentos com os partidos da base aliada da presidente Dilma", afirmou, ao ser perguntado sobre uma aliança com o PSD.

Um dos coordenadores das prefeituras petistas em São Paulo, Eduardo Pereira, disse que o partido não deve recusar uma aliança com Kassab. "Queremos governar o máximo de prefeituras e nossas alianças serão em cima de programas de governo", observou Pereira.

"O PSD é um partido novo que se fortaleceu bastante", afirmou Moema Gramacho, uma das coordenadoras das prefeituras do PT no Nordeste, ao lembrar que, na Bahia, a legenda enfraqueceu o peso político do carlismo residual que ainda está no DEM.

Cético. Ligado ao grupo político de Marta, o presidente do PT, Rui Falcão, foi a principal nome a não externar apoio à aliança. Questionado várias vezes sobre o assunto, ele desconversou. "Isso é um assunto para discutirmos apenas em junho."

O deputado federal Dr. Rosinha (PT-PR), de uma das alas radicais do partido, foi um dos poucos a criticar abertamente a eventual aliança com o Kassab. "Que cara de pau, hein!", reagiu.

A ex-ministra da Secretaria Especial para Mulheres Iriny Lopes foi outra que se mostrou incrédula quanto a presença de Kassab no evento. Ela é pré-candidata à Prefeitura de Vitória e pode precisar do PSD de Kassab.

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