Líderes da base não acreditam em 'nova política de alianças'

Em encontro com Braga, Lula teria falado em mudanças no sistema que garante sustentação ao governo Dilma

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

25 de março de 2012 | 03h06

Lideranças da base de apoio ao governo não acreditam na "nova forma de fazer política" apregoada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no encontro com o líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), no último dia 16. Por essa "nova política", acabaria o toma lá dá cá que garante a aliança formada para sustentar o governo da presidente Dilma Rousseff. A coligação teria como princípio um programa de governo apoiado por todos os partidos da base aliada.

Há dúvidas até se Lula disse mesmo que o Brasil precisa da nova política de alianças. "Eu não ouvi isso do presidente Lula. Quem disse que ele falou isso foi o líder no Senado", afirmou o deputado André Vargas (PT-PR). Ele defende a política de alianças baseada na ocupação de espaços no governo. "PTB, PSC, PR e outras legendas ajudaram a eleger o governo Dilma. É legítimo que eles reivindiquem espaço."

Lembrado de que o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), tem afirmado que os partidos aliados que estiverem descontentes devem deixar a base do governo, Vargas criticou as declarações do colega. "Não concordo. Não é assim que se faz política."

Nos últimos dias a base aliada vive um momento de conflagração. Na semana passada impôs seguidas derrotas ao governo e impediu a votação da Lei Geral da Copa. Os partidos descontentes exigem a liberação das emendas parlamentares ao Orçamento e a nomeação de aliados políticos em cargos no governo.

Oposição. O deputado Luciano Castro (PR-RR) afirmou que ao pregar uma nova forma de fazer política, Lula "está se esquecendo dos oito anos de mandato, quando montou uma base forte, à base da ocupação de espaços dentro da administração pública". O PR de Castro se declarou oposição no Senado e na Câmara é "independente".

O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) disse que só será possível pensar numa "nova prática política" quando existirem no País de três a quatro partidos unidos por ideologias. "Temos umas 30 legendas registradas. Nenhuma é grande o suficiente para governar sozinho."

O PT, maior legenda na Câmara, tem 85 deputados, ou 16,5% do total de 513. O PMDB tem 76 deputados, ou 14,8% do total. Somados, PT e PMDB formam uma bancada de pouco mais de 31% dos deputados, insuficiente para aprovar um simples projeto de lei ou medida provisória.

Para Lima, o exemplo do ex-presidente Fernando Collor de Mello deve ser lembrado por todos. "Collor quis fazer uma nova política, sem vínculos no Congresso. Deu no que deu." Ele teve o mandato cassado pelo Senado em 1992, depois de responder a um processo de impeachment.

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