Líderes da aliança afirmam que há mais consenso que diferenças

Grupo diz ter em comum rejeição à construção de grandes usinas e uso de recursos do pré-sal para a energia limpa

Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2014 | 02h04

Quando o assunto é energia, integrantes do PSB e da Rede Sustentabilidade se esforçam para mostrar que as afinidades entre os dois grupos são maiores que as diferenças. Argumentam que o resultado registrado nas diretrizes do programa de governo é fruto de consenso e que não houve grandes divergências durante a elaboração dos sete pontos elencados no documento.

O discurso dos aliados do governador Eduardo Campos e da ex-ministra Marina Silva mostra-se afinado, por exemplo, quando se trata da construção da usina de Belo Monte, no Pará. Apesar de lamentarem os impactos ambientais e sociais que as alterações no Rio Xingu irão causar, os dois grupos dizem que a obra é fato consumado. No programa provisório, no entanto, incluíram um item que indica que novas construções como essa, especialmente na Bacia Amazônica, não seriam autorizadas num eventual governo PSB.

Outro ponto caro aos marineiros, o de destinar parte dos recursos obtida com a exploração do pré-sal para o desenvolvimento de fontes de energia limpa, também é reivindicado por líderes do PSB. O senador Rodrigo Rollemberg (DF) afirma que há anos defende essa ideia em plenário e que sempre houve no partido uma preocupação com o fato de os combustíveis de origem fóssil serem os grandes responsáveis pelo aquecimento global.

No futuro, porém, as diferentes visões sobre política energética entre os dois grupos podem ir além da questão nuclear.

Ao ser questionado sobre o que o Brasil deveria fazer para evitar uma nova crise energética, o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS), homem de confiança de Campos, defende que, no curto prazo, é preciso investir em formas complementares à energia limpa, como as usinas térmicas, especialmente as movidas a gás natural.

Já o coordenador da Rede, Bazileu Margarido, aliado de Marina, argumenta que maiores investimentos em energia eólica seriam suficientes para suprir uma demanda emergencial. Segundo ele, essas usinas são de fácil instalação e os custos de geração desse tipo de energia têm diminuído a cada leilão.

Compromisso. O deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ), que também faz parte do grupo da ex-ministra do Meio Ambiente, acredita que as diferenças entre as posições relacionadas ao planejamento energético não irão atrapalhar a aliança entre o PSB e a Rede.

Segundo Sirkis, Campos tem se aproximado das propostas defendidas pela Rede nos últimos anos. "A ideia de investir em energias limpas já é uma preocupação de Eduardo há algum tempo", diz. Ele cita como exemplo o fato de o governador ter criado, em 2011, no início do seu segundo mandato, a Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Para comandar a pasta, chamou o ecologista Sérgio Xavier (PV), amigo de Marina. 

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