Líder tucano pede que Leréia se licencie do partido

Álvaro Dias sugere que o deputado, suspeito de envolvimento no esquema de Carlinhos Cachoeira, se afaste até a conclusão das investigações do caso

RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2012 | 03h07

O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), sugeriu que o deputado tucano Carlos Alberto Leréia (GO) se licencie do partido até que as investigações contra ele em curso na Câmara sejam concluídas. Leréia é suspeito de envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito parar investigá-lo.

O deputado do PSDB também é alvo de representação na Corregedoria da Câmara. Ele já apresentou sua defesa prévia. Nos últimos dias, grampos telefônicos feitos pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo mostraram uma relação próxima entre Leréia e Cachoeira. Em um dos diálogos, de abril de 2011, Lereia pede a senha de segurança do cartão de crédito do contraventor. Ao recebê-la, ele diz: "É bom que pode gastar seu dinheiro aqui, então".

"Por mais que seja constrangedor para o partido, chegou a hora de tomar uma providência", afirmou Dias. Para ele, Leréia deveria tomar a mesma atitude do colega Stepan Nercessian (PPS), que pediu afastamento do partido assim que foi revelado que ele recebeu recursos de Cachoeira.

Dias também pediu que o PSDB nacional abra um processo disciplinar contra o deputado goiano, uma vez que até o momento o diretório estadual, a quem caberia, segundo o líder, fazer a apuração da conduta dele, ainda não tomou qualquer providência.

Leréia ainda não explicou um depósito de Cachoeira destinado a ele, rastreado pela PF, no valor de R$ 100 mil. Leréia usava um dos telefones Nextel, cedidos por Cachoeira e habilitados nos Estados Unidos, para dificultar grampos. O tucano tem se defendido dizendo que é amigo de Cachoeira há 25 anos. Numa entrevista, chegou a dizer que estaria mentindo se dissesse que não sabia das atividades ilegais de Cachoeira.

Perillo. Dias, no entanto, não tem a mesma posição quando se refere ao governador de Goiás, Marconi Perillo. Para ele, apesar de classificar como "delicada" a situação de Perillo, o partido tem de esperar o "inevitável" depoimento dele à CPI para decidir qual providência vai tomar.

Segundo Dias, o governador terá a oportunidade de responder aos questionamento de todos, inclusive do partido, na comissão parlamentar.

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