Líder ruralista vê alinhamento do setor com candidata do PSB

Presidente da Sociedade Rural reúne fazendeiros com vice de Marina, que afirmou ter esclarecido pontos de divergência

Stefânia Akel, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2014 | 21h16

Em mais um aceno da chapa do PSB ao agronegócio, o candidato a vice-presidente Beto Albuquerque deixou um encontro com representantes da Sociedade Rural Brasileira (SRB) nesta sexta-feira, 26, dizendo ter certeza de que haverá “respeito e diálogo” permanente com o setor em um eventual governo Marina Silva. Por sua vez, o presidente da SRB, Gustavo Diniz Junqueira, afirmou ver “alinhamentos” entre o agronegócio e a chapa da candidata do PSB.

“Existe um falso dilema entre a produção e a proteção, que por essa reunião a gente consegue ver que os assuntos estão muito alinhados”, afirmou Junqueira, para quem um eventual governo do PSB não faria “mudanças abruptas” nas políticas para o setor. “Eu não vejo da maneira que a imprensa tem colocado essa restrição do agronegócio à candidatura da Marina. Muito pelo contrário: eu vejo um crescimento do sul ao norte do País.”

O ingresso de Marina na chapa do PSB, ainda em outubro de 2013, causou ruído entre setores do agronegócio que apoiavam o então pré-candidato do partido, Eduardo Campos, como o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO). Após a morte do ex-governador de Pernambuco, em agosto, e a confirmação da ex-ministra como concorrente ao Planalto, o PSB tem buscado pontes para dialogar com empresários do setor agrícola.

A relação entre Marina e o agronegócio costuma ser lembrada por episódios como a votação do Código Florestal, em 2012, e a regulação do plantio de transgênicos, ainda no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006). Tradicionalmente, o setor tende a preferir apoiar candidatos do PSDB, mas participantes do evento reconhecem maior divisão neste ano.

Compromisso. Na reunião desta sexta, com cerca de 100 empresários, Beto disse ter reafirmado compromissos que haviam sido assumidos por Campos. “Nosso desejo era encerrar qualquer dúvida que existisse e recolher sugestões.” Segundo Beto, ficou combinado que haverá discussão sobre como aplicar o Código Florestal se Marina for eleita. Diniz afirmou haver “alinhamento em relação a como implantar o Código Florestal”.

O candidato também disse ter “esclarecido” a proposta de atualização do índice de produtividade agrícola previsto no programa de governo apresentado por Marina, no mês passado. Beto reiterou o que havia dito na série Entrevistas Estadão e defendeu o uso do índice para “premiar” os produtores rurais.

“Hoje o critério para fazer reforma agrária é orçamento. A relação não é desapropriar, fazer litígio, conflito. Não precisa ser assim”, disse Beto. “Fazer reforma agrária nós faremos, mas por meio do orçamento.”

O candidato falou também da importância de fortalecer o Ministério da Agricultura e estreitar as relações do órgão com a Presidência. “Deixamos a certeza que teremos respeito e diálogo permanente com o agronegócio. Expliquei que Marina ouve as partes antes de tomar decisão.”

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