Líder em receita per capita, Cubatão é cidade de contrastes

Apesar dos recursos obtidos com impostos do polo industrial, favelas se multiplicam pelo município da Baixada

ZULEIDE DE BARROS , ESPECIAL PARA O ESTADO/ CUBATÃO, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h05

Com maior orçamento per capita entre as cidades brasileiras que integram o "clube do bilhão", Cubatão é uma cidade de contrastes. A presença no local de um dos mais importantes polos industriais do País enche os cofres municipais via impostos. Mas isso não se reflete necessariamente na qualidade de vida dos moradores. Levantamento feito pelo IBGE, no final do ano passado, revela que 41,5% dos cubatenses moram em favelas ou em condições precárias.

As palafitas, com barracos fincados sobre o mangue - como a favela da Vila dos Pescadores, nas proximidades do Rio Casqueiro, junto com os chamados bairros-cotas, instalados na Serra do Mar, ao longo da Via Anchieta - são cenários bastante conhecidos dos motoristas que trafegam em direção às praias da Baixada e do Litoral Sul.

O governo do Estado está removendo a população das áreas de risco para conjuntos do CDHU. O governo federal, via Programa de Aceleração do Crescimento, tem planos de remover os moradores das palafitas.

Em Cubatão, quatro candidatos disputam o cargo de prefeito. Márcia Rosa (PT) é candidata à reeleição. Nei Serra (PSDB), que já comandou a cidade, quer voltar ao posto. Pedro de Sá (PTB) e Toninho da Elétrica (PSOL), completam a lista de postulantes.

Passivo. A prefeita Márcia Rosa diz que, apesar do orçamento bilionário, o "passivo" encontrado na cidade vem demandando investimentos para recuperar a qualidade de vida da população. "Foi e está sendo necessário aplicar recursos consideráveis na recuperação da infraestrutura urbana, na reconstrução dos próprios públicos, na saúde e no lazer", diz.

A Vila dos Pescadores exemplifica as más condições de vida que parte da população da cidade enfrenta. O local é um antigo reduto de trabalhadores que viviam da extração de peixes do Rio Casqueiro e de caranguejos, retirados do mangue. Quem sobe a serra, na volta para São Paulo, já se acostumou com a imagem de homens no acostamento oferecendo caranguejos.

A favela cresceu muito nos últimos anos, expandindo-se até as margens da Avenida Bandeirantes, uma marginal da Via Anchieta. Hoje, lá vivem mais de 12 mil moradores - é a segunda maior favela do município, só perdendo para a da Vila Esperança, que tem mais de 15 mil pessoas, segundo o último Censo do IBGE.

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