Líder em Porto Alegre, Fogaça prescinde do apoio de Lula

Enquanto aliados disputam o apoiodo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até oposicionistastentam mostrar proximidade, o candidato à prefeitura de PortoAlegre, José Fogaça (PMDB), não tira proveito de ser de umpartido da base do governo e faz campanha alheio à popularidadede Lula. Líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início dacampanha, Fogaça aposta mais nas lideranças locais e nasalianças que montou para reforçar sua candidatura. "Estamos disputando a eleição da capital dos gaúchos. Aestratégia é fincar pé nas questões locais e não vincular com o(quadro) nacional", disse Clóvis Magalhães, coordenador dacampanha de Fogaça, à Reuters. Segundo Magalhães, a opção está associada a uma "coerênciacom o município", e a ênfase se baseia na formação da aliançaque sustenta Fogaça e que inclui o PDT e PTB, partidos degrande expressão estadual e que já tiveram experiências naadministração da capital. Além disso, boa parte das lideranças peemedebistas gaúchastem tradição na defesa de estratégias de construção partidáriae de não alinhamento aos governos federais. Em 2006,protagonizaram um movimento em defesa da candidatura próprianas eleições presidenciais e lançaram o então governadorGermano Rigotto como pré-candidato, em uma disputa interna queacabou sendo vencida pelo ex-governador do Rio, AntonyGarotinho. "O presidente Lula é fundamental como parceiro para odesenvolvimento de Porto Alegre e o PMDB é o maior parceiro dogoverno Lula, nem por isso o reivindicamos como caboeleitoral", disse Magalhães. ADVERSÁRIO COMUM Fogaça concorre à reeleição e lidera a disputa, com 33 porcento das intenções de voto, segundo pesquisa Datafolha feitanos dias 17 e 18 de setembro. Por enquanto, assiste de camarotea uma disputa acirrada entre as deputadas federais ManuelaD'Ávila (PCdoB) e Maria do Rosário (PT) pela outra vaga nosegundo turno. As duas estão rigorosamente empatadas, com 18por cento da intenções de voto, e brigam pela exclusividade dovínculo com o presidente Lula. Manuela e Maria do Rosário aparecem emboladas desde asprimeiras pesquisas. Na reta final da campanha, as equipesfazem avaliações positivas, acirram às críticas aosadversários, mas já indicam oposição a um possível governoFogaça como o caminho para superar hostilidades e formar umaaliança no segundo turno. "Estamos dentro dos limites do debate político e (osataques feitos na campanha) são perfeitamente superáveis. Comcerteza, teremos uma aliança das forças que estão na oposição aFogaça", disse Adalberto Frasson, coordenador de campanha deManuela, à Reuters.A avaliação é compartilhada pelo lado do PT, que, apesar dasrestrições aos PPS -- que integra a chapa de Manuela e éconsiderado "privatista" e herdeiro da tradição política doex-governador Antônio Brito -, aposta em um realinhamento com oPCdoB. "Nosso adversário é o Fogaça. Também acreditamos que seja oadversário dos comunistas", disse Rodrigo Oliveira, coordenadorda campanha de Maria do Rosário, à Reuters.

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