Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Líder é poupado;vaga no 2º turno esquenta debate

Celso Russomanno fica à margem de duelos entre Marta, Haddad e Doria; Erundina foca no prefeito em busca do eleitorado petista

O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2016 | 00h53

O segundo debate na TV da disputa pela Prefeitura de São Paulo, promovido ontem pela RedeTV, Veja, UOL e Facebook, foi marcado por dois duelos paralelos entre os candidatos que disputam o segundo turno. Mais uma vez o deputado Celso Russomanno (PRB), líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, acabou poupado.

Com 9% das intenções de voto na última pesquisa Ibope e em situação de empate no terceiro lugar com a deputada federal Luiza Erundina (PSOL) e o atual prefeito Fernando Haddad (PT), o empresário João Doria (PSDB) escolheu a senadora Marta Suplicy (PMDB) como seu alvo principal. Ela está em segundo, com 17%.

“Marta adora uma taxazinha. Taxa é com ela mesmo”, disse Doria em um dos momentos mais tensos do debate. Ele voltou ao tema e chegou a chamá-la de “Martaxa”. Irritada, ela pediu mais “compostura” ao adversário do PSDB, mas fez uma mea-culpa. “Não se pode tomar uma resolução por pressão. Foi errado. Vou ter que responder bastante tempo por isso. A gente aprende com os erros.”

Em outro momento, o tucano tentou constranger a senadora ao lembrar de críticas que aliados fizeram a ela no passado. “(Andrea) Matarazzo (candidato a vice de Marta) disse que sua gestão foi nefasta. (Gilberto) Kassab disse que você deixou a cidade quebrada.”

“Não deixei a cidade quebrada. E foi o (José) Serra que disse isso, não o Kassab”, corrigiu a peemedebista.

‘Golpe’. O outro duelo que marcou o debate foi entre Erundina, que foi prefeita pelo PT entre 1988 e 1992, e o atual prefeito de São Paulo. Em um movimento para tentar conquistar eleitores no campo da esquerda, a deputada cobrou do petista uma postura mais assertiva contra o que chamou de golpe do presidente Michel Temer no processo que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff. “Não ouvi neste processo de golpe você se manifestar à respeito. Disse (em entrevista ao Estado) que a palavra é dura. Houve ou não houve golpe?”, provocou a deputada.

“Quando dei essa resposta, eu estava fazendo uma distinção entre o golpe de 1964 e esse, que é de caráter institucional”, rebateu o petista. Segundo o prefeito, ao decidir afastar Dilma e manter seus direitos políticos, o Senado teria reconhecido que não houve crime. Na tréplica, Erundina subiu o tom. “Golpe é golpe, seja militar ou parlamentar, Não pode ter meias palavras em certas conjunturas. Ficou mal para você. Ficou hesitante”, insistiu Erundina.

Acuado, Haddad partiu para a ofensiva. “Se eu fosse hesitante não estaria por 30 anos no mesmo partido. Quem fica mudando de partido a cada cinco anos não sou eu. Mas não somos adversários. Somos do mesmo campo de esquerda. Você divide o campo democrático popular. Faz com que a direita ganhe espaço ainda maior no nosso País. É uma postura divisionista”, criticou.

Líder. Poupado pelos adversários, Russomanno evitou criticá-los e focou suas críticas na gestão de Haddad, mas sem citar seu nome. “As calçadas estão todas esburacadas. As ciclovias pintadas de forma errada”, disse o candidato do PRB.

Major Olímpio, do Solidariedade, partido que está na base do governador Geraldo Alckmin , por sua vez, atacou o governador e o PSDB.

“O senhor é de um partido, o PSDB, que é conhecido como o pior salário do Brasil para servidores. Os policiais ainda dizem que o PCC mata na hora e o PSDB vai matando aos poucos”. Tenho por princípio a serenidade. São mais de 130 mil servidores. Aprendi a ser um respeitador do ser humano”, respondeu o tucano. / COLABOROU MARIANNA HOLANDA

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