Andre Dusek/AE - 16.08.2011
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Líder do PMDB vai à Caixa por patrocínio de times do RN

Influência de candidato à presidência da Câmara, o deputado Henrique Eduardo Alves, desperta ciúmes em cartolas

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2013 | 02h04

BRASÍLIA - O favorito na disputa pela presidência da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), usou o prestígio de líder do PMDB para arrancar do presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Hereda, o compromisso de que o banco vai financiar o ABC e o América, dois times de futebol de Natal que disputam a série B do Campeonato Brasileiro. A Caixa é um banco público. Por tradição, as instituições estatais patrocinam times de massa, porque o retorno financeiro é garantido. Não é o caso dos clubes do Rio Grande do Norte, que pediram cerca de R$ 3 milhões para a temporada 2013.

Até o momento, a Caixa mantém contratos de patrocínios com o Corinthians (SP), Atlético Paranaense (PR) e Figueirense e Avaí (SC). A ação de influência de Henrique Eduardo Alves no banco é vista por dirigentes de outros clubes como uma forma de "furar" a fila de contratos da Caixa, que ainda não patrocina times do Nordeste.

Em 2012, o ABC e o América ficaram em 10º e 12º lugares, respectivamente, entre os clubes nordestinos com maior média de público nas três séries do Campeonato Brasileiro. Líderes de torcida, Santa Cruz (PE), Sampaio Correa (MA), Bahia (BA), Sport (PE), Vitória (BA), Fortaleza (CE), Náutico (PE) e Ceará (CE) representam os quatro estados mais populosos do Nordeste.

Enquanto o Ceará, 8º no ranking de público, teve uma média de 10 mil torcedores por jogo, o ABC e o América registraram, em média, 3,9 mil e 2,4 mil pagantes em suas partidas. O ABC ficou ainda com a marca negativa de disputar um jogo com o Ipatinga, de Minas, visto por apenas 142 pessoas, o de pior bilheteria dos campeonatos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no ano passado. A partida foi realizada na cidade do Vale do Aço mineiro. O campeonato potiguar tem uma das piores médias de público da região, com 1.200 pagantes.

Um diretor de um dos clubes afirmou que a colocação do ABC e do América no ranking de apostas do Timemania, da Caixa, justifica os patrocínios do banco para o futebol do Rio Grande do Norte. Em melhores posições na loteria, ABC, 4º lugar, e América, 6º, no entanto, perdem para Bahia, Fortaleza e Vitória no acumulado de apostas de 2012.

Em dezembro, Henrique Alves comemorou em sua página na internet o encontro com Hereda. Informou que havia conseguido com o presidente da Caixa patrocínio para o ABC e o América, alegando importância das duas equipes para o futebol potiguar e a permanência delas no Campeonato Brasileiro.

'Rejuvenescimento'. O banco não deu detalhes sobre os contratos e não confirmou os patrocínios aos clubes de Natal. "A Caixa só confirmará o patrocínio após finalizadas as etapas de negociação", destacou a assessoria de imprensa da instituição em comunicado. A uma pergunta sobre a importância dos contratos, a Caixa admitiu a negociação com os clubes defendidos por Henrique Alves. O banco ressaltou que o patrocínio faz parte de um plano de "expansão" da política de marketing esportivo, "por ser fonte de grande retorno para as marcas patrocinadoras e que transmite ao público uma mensagem de dinamismo e agilidade, com potencial de rejuvenescimento da marca".

Com os contratos, a Caixa será destaque na lista dos patrocinadores dos dois clubes, que incluem Drogaria Santa Fé, Ótica Diniz, prefeitura de Natal e Cavaleiros do Forró. O banco ainda poderá ostentar sua marca nos estádios do Frasqueirão, do ABC, com capacidade para 18 mil torcedores, e no Nazarenão, o estádio temporário do América, em Goianinha, que comporta 6 mil pessoas. O clube pretende construir um estádio em Parnamirim para 22 mil torcedores, o Arena do Dragão.

Procurado pela reportagem, Henrique Alves não quis falar sobre o assunto.

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