Líder do governo, Fontana diz que reforma política pode ser feita via referendo

Para o deputado, há várias alternativas para a reforma e o importante é que ela seja votada pelo Parlamento. Henrique Fontana ressaltou que esta é a sua opinião pessoal

Ricardo Della Coletta, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 14h47

Brasília - O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), afirmou nesta terça-feira, 28, que a reforma política não precisará necessariamente ser precedida por um plebiscito popular, como defendeu a presidente reeleita, Dilma Rousseff, em seu discurso de vitória.

"Temos diversas alternativas (para a reforma política). O importante é que ela seja votada pelo Parlamento", disse Fontana. O petista, que foi relator de uma proposta de reforma política que tramitou no Legislativo e que ressaltou estar manifestando uma opinião "pessoal", não descartou que as mudanças político-eleitorais, depois de votadas pelo Legislativo, sejam alvo de um referendo - posição defendida pelo PMDB, maior partido da base aliada.

De acordo com Fontana, o Congresso pode optar por diferentes caminhos: dar prioridade à proposta encampada por entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), fazer uma consulta popular prévia que marque as diretrizes para a reforma política - o plebiscito - ou ainda chamar um referendo depois que o tema tenha sido votado. "Dá para agregar ao projeto da OAB a ideia do referendo", afirmou.

O petista disse ainda que o governo não tem "pretensão" de fechar questão sobre os temas que deverão ser discutidos pelo Congresso, mas defendeu que é fundamental que se encontre uma "alternativa ao financiamento eleitoral". O PT é um dos partidos que pressionam pelo fim das doações empresariais a campanhas políticas. 

Conflito. A reforma política já opôs Dilma e sua base aliada um dia depois de a petista ter sido reeleita. Em seu pronunciamento na noite em que conquistou um segundo mandato, Dilma colocou a reforma política como uma de suas prioridades e declarou que ela deve ser precedida por um plebiscito. Caciques do PMDB como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e os líderes da legenda no Congresso, deputado Eduardo Cunha (RJ) e senador Eunício Oliveira (CE), bombardearam a ideia e defenderam a tese do referendo. 

Fontana minimizou nesta terça a divergência e ressaltou que tanto Dilma como Calheiros classificaram a reforma política como uma prioridade. 

Embora diga que o Planalto está disposto para o diálogo, o deputado disse que o projeto de reforma política elaborado no ano passado por um grupo de trabalho coordenador pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) não é uma opção. "É um projeto sepultado que não dialoga com as necessidades do País", disparou. "Ele constitucionaliza o financiamento privado (de campanha)", concluiu.

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