Lewandowski se irrita com relator e deixa plenário do STF

A dez dias de assumirem o comando do Supremo Tribunal Federal, os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski desentenderam-se ontem seriamente no plenário. Barbosa, que tomará posse como presidente, acusou o colega, futuro vice, de tentar obstruir o julgamento. Como não houve retratação, Lewandowski abandonou o plenário em sinal de protesto.

O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h03

O clima esquentou quando Lewandowski reclamou do fato de Barbosa ter decidido sozinho, e em cima da hora, que ontem seriam fixadas as penas para o núcleo político, que inclui José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Na semana passada, Barbosa tinha dito que nesta segunda-feira seriam estabelecidas as penas para o núcleo financeiro.

Lewandowski contou que veio de São Paulo, onde participou de uma banca de mestrado, e estava surpreso com a decisão do relator. "Não interessa de onde veio. Estamos aqui para fixar a pena de todos os réus", respondeu Barbosa. "Vossa Excelência está surpreendendo a Corte a cada momento. Toda hora Vossa Excelência vem com uma surpresa", afirmou Lewandowski. "A surpresa está na lentidão, nesse joguinho para julgar o caso. Estou surpreendido com a ação de obstrução de Vossa Excelência", respondeu Barbosa.

Diante da acusação, o presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, interveio: "Não se trata de obstrução". Mas Barbosa insistiu: "Está a fim de obstruir mesmo". Lewandowski protestou: "Eu exijo uma retratação". Como não houve retratação, Lewandowski abandonou a sessão.

Como votou pela absolvição de Dirceu e Genoino, ele não participaria da dosimetria das penas de ambos. Mas a sessão foi interrompida quando os ministros passariam a fixar a punição para Delúbio Soares pelo crime de corrupção ativa. Nesse caso, a presença de Lewandowski era essencial, já que ele é o revisor e votou pela condenação de Delúbio. Lewandowski passou o intervalo caminhando em volta do prédio do STF acompanhado de um assessor e falando ao telefone.

A sessão foi retomada com atraso, com a volta de Lewandowski. Ayres Britto cumprimentou o colega pelo retorno ao plenário, reassumindo "seu indispensável papel de revisor". "As pessoas estranham que por vezes nossas discussões se tornam um pouco mais acaloradas, mas isso para mim é sinal de vitalidade, comprova que aqui não há nada combinado." / M.G., F.R., EDUARDO BRESCIANI e RICARDO BRITO

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