Lewandowski abdica de TSE por mensalão

Ministro, que é revisor do julgamento do maior escândalo da Era Lula deixa mandato no tribunal

MARIÂNGELA GALLUCCI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2012 | 03h01

O ministro Ricardo Lewandowski abriu mão do resto de mandato a que teria direito no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para dedicar mais tempo à análise do processo do mensalão, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). Lewandowski integrava as duas Cortes. Agora ficará apenas no STF.

Num ofício encaminhado ontem ao presidente do Supremo, Cezar Peluso - que deixou ontem o cargo -, Lewandowski diz que apesar de poder permanecer no TSE até maio de 2013 optou por deixar o tribunal eleitoral. No documento, não menciona o mensalão como motivo para abdicar do cargo. A saída de Lewandowski coincide com o fim do mandato dele como presidente do TSE. Agora, o STF terá de escolher um ministro.

Colegas de Lewandowski no Supremo têm dito publicamente que é importante que o processo do mensalão seja julgado rapidamente, de preferência até o fim de junho. O início do julgamento também depende de Lewandowski, que é o revisor da ação e, nessa condição, tem de preparar um voto alentado.

Apesar dos apelos dos colegas e da saída do TSE antes do fim do mandato, Lewandowski tem dito que não sofre pressão. "Ninguém pressiona juiz do Supremo Tribunal Federal. Jamais ocorreu isso na história. Nem os próprios colegas têm condições ou teriam condições de pressionar outro colega."

'Presidenta'. Pela primeira vez na história, uma mulher tomou posse ontem como presidente do TSE. Numa cerimônia prestigiada pela presidente Dilma Rousseff e pela presidente interina do Senado, Marta Suplicy, a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha assumiu o cargo afirmando que nenhuma lei do mundo pode substituir a honestidade, a responsabilidade e o comprometimento do cidadão.

Na eleição municipal deste ano será a primeira vez que a Lei da Ficha Limpa será aplicada.

Cármen Lúcia pediu aos eleitores que votem limpo. "O caminho mais curto para a Justiça é a conduta reta de cada um de nós, cidadãos. O homem probo ainda é a maior garantia da Justiça na sociedade. A eleição mais segura e honesta é aquela em que cada cidadão vota limpo", declarou a nova presidente do tribunal.

Mineira de Montes Claros, Cármen Lúcia disse em seu discurso que os juízes "fazem direito, mas não fazem milagres".

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