Leite ganha mapa astral que indica fato 'de grande impacto' em sua vida neste mês

Aliados do governador gaúcho dizem que ele deve deixar o PSDB e ser candidato à sucessão de Bolsonaro pelo PSD de Kassab

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2022 | 14h50

Caro leitor,

Nem prévias, nem pesquisas. O que mais impressionou até agora o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, foi um mapa astral recebido por ele, indicando que um fato “de grande impacto” acontecerá na sua vida, em março. A uma semana de completar 37 anos, Leite está inclinado a deixar o PSDB e se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, até o fim deste mês, para trilhar o que chama de “caminho alternativo” e disputar a sucessão do presidente Jair Bolsonaro  (PL). Tem ouvido muitos conselhos, mas ainda não anunciou a decisão.

Para quem leva a sério essas previsões, como é o caso do governador, uma coisa parece certa: sua agonia deve durar pouco porque ele está prestes a sair do “inferno astral”, fase que antecede o aniversário. Nascido em Pelotas (RS), a 10 de março de 1985, Leite é do signo de Peixes, com ascendente em Touro, e Lua em Escorpião. Ganhou o mapa de um amigo que lhe pediu dados pessoais, como dia, mês, ano, local e hora do nascimento, e encomendou a análise a um astrólogo de sua confiança, em São Paulo. Ficou animado com o resultado, mas não fala sobre o assunto.

Dois empresários aliados do governador viram as conclusões do guia astrológico e disseram ao Estadão que ele aparece ali como uma pessoa de destaque, entre duas forças políticas.  Seria Leite o candidato da terceira via na disputa contra Bolsonaro, de um lado, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de outro?

É justamente nesse ponto que surgem as dúvidas. Embora o mapa astral sugira que o gaúcho sempre consegue vitórias em situações adversas, mesmo quando tudo parece dar errado, nada indica que ele chegará ao Palácio do Planalto nas próximas eleições, em outubro.

Mesmo assim, seus amigos leram a análise sob outra perspectiva, uma vez que, no futuro, o destino dele se cruzaria com o mapa do Brasil. Falta, porém, combinar com os astros do mundo político e com os números das pesquisas de intenção de voto. 

Leite já tinha tomado conhecimento do alinhamento dos planetas que regem sua trajetória quando admitiu a empresários, no último dia 18, a possibilidade de ser candidato à Presidência.

“De fato, estou sendo provocado novamente sobre o cenário nacional. Olha, passar um cavalo encilhado já não é fácil; passar dois, não dá para a gente desprezar”, constatou ele, na ocasião, em palestra na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (RS).

Aos apoiadores, o governador se apresenta como “vocacionado”, diz que não disputará a reeleição e já deu todos os sinais de que deixará o Palácio Piratini nos próximos dias. Quando questionado por jornalistas se vai mesmo sair do  PSDB para concorrer à Presidência pelo PSD, ele encerra o assunto e afirma estar em processo de reflexão. “Nada definido”, responde.

Após ser derrotado nas prévias do PSDB, que em novembro do ano passado escolheram o governador de São Paulo, João Doria, como candidato do partido ao Planalto, Leite foi procurado pelo ex-ministro Gilberto Kassab, presidente do PSD.

As negociações avançaram porque o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) – primeira opção de Kassab –, já avisou internamente que não disputará a cadeira de Bolsonaro.

A complicada situação de Doria, estacionado nas pesquisas, e os movimentos do grupo de Leite escancaram o racha cada vez mais profundo no PSDB. Ex-tucano, Geraldo Alckmin deixou o partido em dezembro e agora busca uma sigla para se filiar e confirmar sua candidatura a vice na chapa de Lula, já acertada com o petista. Detalhe: Alckmin também é aliado de Leite.

Embora o governador gaúcho não passe de 3% nos últimos levantamentos, sua possível entrada no páreo fez acender o sinal amarelo no Planalto, como mostrou a Supercoluna. No diagnóstico de ministros próximos de Bolsonaro e de expoentes do Centrão, Leite tem potencial de crescimento porque é dono de um perfil que atrai votos do centro e até da centro-direita. Na avaliação de bolsonaristas,  ele pode deixar para trás o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro, que enfrenta dificuldades na campanha pelo Podemos.

“O Centrão entende de tudo, menos de eleição majoritária”, ironizou o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Relator da CPI da Covid no ano passado, Renan comanda uma ala do MDB que quer abandonar Simone Tebet – a pré-candidata do partido à Presidência – para apoiar Lula no primeiro turno da eleição.

Treze diretórios do MDB integram o grupo que pretende aderir à campanha do petista desde já. Na lista estão seis seções do Nordeste, como Alagoas, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Piauí, além de dirigentes em outros Estados, como os ex-senadores Eunício Oliveira, no Ceará e Romero Jucá, em Roraima.

Até agora, Simone Tebet tem 1% nas pesquisas. Se Leite decidir entrar no páreo, como se prevê, o grupo dele insistirá no convite para que a senadora seja vice da chapa. “Não existe plano B. Sou candidata a presidente. Não quero unanimidade, mas, sim, unidade”, insiste Simone sempre que indagada sobre o racha no MDB e a possibilidade de ser vice.

Enquanto isso, o grupo de Leite já se movimenta em direção ao PSD de Kassab. Agostinho Meirelles, secretário de Apoio à Gestão Administrativa e Política do governo gaúcho, se filiou ao partido na semana passada. Ana Amélia Lemos, secretária de Relações Federativas e Internacionais do Rio Grande do Sul, vai deixar o Progressistas e negocia a entrada no PSD para concorrer novamente ao Senado.

Na campanha de 2018, Ana Amélia – então senadora – foi vice na chapa de Alckmin, que hoje está com Lula, que tem apoio de importante ala do MDB, que em 2006 apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nessa constelação política, integrada agora por Leite, tudo pode acontecer, inclusive nada, como diria o ex-vice-presidente Marco Maciel. E haja mapa astral...

Vera Rosa

Vera Rosa

Repórter especial em Brasília

Jornalista formada pela PUC-SP, sou repórter da Sucursal de Brasília desde 2003, sempre cobrindo Planalto e Congresso. Antes, trabalhei no Estadão e no Jornal da Tarde, em SP. Sou paulistana, adoro notícia, cinema e doces, mas até hoje não me acostumei a chamar “bolo” de “torta”, como em Brasília.

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