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Candidato à reeleição, o prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), lidera as pesquisas, apesar de uma restrição judicial que é a anticampanha, por expor seu envolvimento em um esquema de corrupção bilionário. Ele não pode frequentar locais públicos e está impedido de deixar o Estado por período superior a 30 dias sem autorização de um juiz. Só faltou a tornozeleira eletrônica.

O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h04

Como as restrições se estendem até outubro de 2013, se for reeleito será um prefeito sob "liberdade condicionada" - ainda tem que comparecer em juízo de cinco em cinco meses. Apesar de tudo, como não tem condenação por órgão colegiado, não se insere no contexto do ficha-suja.

Góes cumpre acordo judicial firmado há um ano. Antes ele havia passado dois meses preso, flagrado na operação "Mãos Limpas", da Polícia Federal, que desmantelou em setembro de 2010 uma quadrilha instalada nas cúpulas dos três Poderes do Estado.

Presidente do inquérito, o ministro João Otávio de Noronha, do STJ, expediu ordens de prisão contra o então governador, Pedro Paulo Dias (PP), o ex-governador e candidato ao Senado, Waldez de Góes (PDT), o presidente do Tribunal de Contas, Júlio Miranda Coelho, entre outros. A ordem de prisão contra Roberto Góes viria três meses depois. Afastado, ele só reassumiria a prefeitura em fevereiro de 2011.

Todos eles ainda são alvo de investigação pelos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato e fraudes a licitações. O relatório final da Polícia Federal concluiu que a quadrilha roubou, aproximadamente, R$ 1 bilhão dos cofres públicos nos últimos dez anos. Ao governo e à prefeitura, a PF atribuiu o desvio de pelo menos R$ 400 milhões. Entre os bens da quadrilha apreendidos durante a operação, estavam um jato Cessna, uma Ferrari e um Maserati.

A ação penal a que Roberto Góes responde junto ao Tribunal de Justiça decorre de sua prisão em flagrante, no dia 10 de setembro de 2010, pelo porte ilegal de arma de fogo. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão da operação que reuniu 600 policiais federais, foi encontrada em sua residência uma espingarda calibre 12, com 16 cartuchos. Ele admitiu que a arma era sua, "presente de um primo".

A advogada de Góes, Gláucia Oliveira, ressalta que seu cliente "não foi condenado", é ficha limpa e pode fazer campanha como os outros candidatos, até 22 horas ou até meia-noite. Se Góes desobedecer as restrições, volta a responder à acusação penal. Na hipótese de condenação pelo Tribunal de Justiça, onde tem foro privilegiado, se tornaria ficha-suja.

Em junho deste ano, o ministro Noronha manteve o afastamento do presidente do Tribunal de Contas, Júlio de Miranda Coelho, e de mais cinco conselheiros.

Os inquéritos foram desmembrados e a investigação contra Roberto Góes, Pedro Paulo e Waldez de Góes - hoje coordenador da campanha de Roberto à reeleição - foi enviada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, já que os ex-governadores perderam o foro privilegiado.

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