TJ-AL/Divulgação
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Legista reitera que morte de PC Farias foi crime passional

Badan Palhares prestou depoimento no julgamento em Maceió e disse que Suzana Marcolino 'teve motivos' para assassinar o ex-tesoureiro

Carlos Nealdo, especial para o Estado

09 de maio de 2013 | 02h05

Maceió - O médico-legista Fortunato Badan Palhares repetiu ontem no tribunal de Maceió a tese de crime passional que defende desde quando foi convocado pelo Ministério da Justiça para auxiliar as investigações da Polícia Federal sobre as mortes de Paulo César Farias e da namorada, Suzana Marcolino, ocorridas em 1996 na casa de praia do ex-tesoureiro de Fernando Collor de Mello.

No terceiro dia de julgamento que tem como réus os quatro PMs que faziam a segurança de PC na noite do crime, Badan utilizou uma série de slides com imagens dos corpos do casal - inclusive dos exames cadavéricos - para tentar mostrar que Suzana matou o ex-tesoureiro e se matou.

O julgamento de Reinaldo Correia de Lima Filho, Adeildo Costa dos Santos, Josemar Faustino dos Santos e José Geraldo da Silva, acusados de participação nas mortes, deve acabar hoje.

Na época da investigação, o laudo da perícia comandada por Badan foi assinado por dez peritos. "Um deles, o Molina, que participou da equipe, não quis assinar", afirmou o legista.

"Suzana teve motivos para praticar o crime", disse Badan Palhares, cujo depoimento se estendeu por boa parte da noite. "Evidências de os dois estarem sozinhos no quarto fechado levam a crer nisso", afirmou.

A tese de Badan foi defendida por três outros peritos ouvidos anteriormente. A perita Anita Buarque de Gusmão - primeira profissional da polícia alagoana a entrar no quarto onde estavam os corpos de PC Farias e Suzana - revelou que foram encontrados vestígios de pólvora na mão de Suzana, o que indicaria que ela teria matado o namorado e depois se suicidado.

Nivaldo Cantuária, que também integrava a equipe de Anita, afirmou que o exame residuográfico deu positivo para as mãos de Suzana e negativo para as mãos do ex-tesoureiro de Collor. Além deles, prestaram esclarecimentos os médicos legistas José Lopes da Silva Filho e Gerson Odilon, responsáveis pelos exames cadavéricos nos corpos.

Os peritos admitiram, porém, que os exames de pólvora feitos nas mãos de Suzana e de PC Farias eram precários - poderia dar falso positivo.

Tiro ao alvo. Ontem também foi ouvida Zélia Maria Maciel de Souza, prima de Suzana. Ela confirmou que dias antes de morrer a namorada do ex-tesoureiro de Collor comprou um revólver - o mesmo que teria sido utilizado no crime - e praticou tiro ao alvo em um sítio localizado próximo à sua residência, na periferia de Maceió.

Bastante nervosa, Zélia afirmou que intermediou a compra do revólver para Suzana com a empresária Mônica Aparecida Calheiros, que já havia confirmado a venda, por R$ 350, em depoimento prestado anteontem. "Suzana alegou que queria a arma para se defender, pois morava num lugar esquisito e costumava chegar tarde da noite em casa", disse a prima.

Réus. O julgamento entra hoje em seu quarto dia - e provavelmente o último - com o depoimento dos réus. O quatro faziam a segurança da casa de praia de PC Farias no litoral norte da cidade de Maceió na noite das mortes. Em situações anteriores, os seguranças disseram não terem ouvido os tiros disparados dentro da casa.

Anteontem, o ex-deputado Augusto Farias, irmão de PC, prestou depoimento e defendeu os acusados. Augusto é responsável pelo pagamento dos advogados dos quatro. Ele já chegou a ser indiciado sob suspeita de ser o mandante do crime, mas seu caso foi arquivado por falta de provas pelo Supremo Tribunal Federal - à época ele era deputado e tinha foro privilegiado.

Hoje, após o depoimento dos quatro réus, o juiz Maurício Brêda, que preside o Tribunal de Júri, abrirá espaços para as alegações finais da defesa e acusação. Depois, o júri dará sua sentença.

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