Kassab sai vitorioso e ficará mais 4 anos na Prefeitura de SP

Com vitória de prefeito, o DEM ganha novo impulso no País e um novo líder; Marta reconheceu derrota

26 de outubro de 2008 | 19h14

Gilberto Kassab (DEM) é o novo prefeito da cidade de São Paulo. As urnas abertas neste domingo, 26, mostraram que 60,73%% dos eleitores o escolheram para ficar mais quatro anos no comando da cidade. Foram apuradas 98,79% das urnas. A adversária Marta Suplicy (PT) teve 39,27%. Em rápido pronunciamento, a petista admitiu a derrota e diz que ligou para Kassab para parabenizá-lo. Com ar abalado, ela economizou palavras e disse apenas que é preciso cobrar os compromissos do novo prefeito: "Desejo o melhor para nossa cidade".        Veja também:Marta admite derrota e ligou para Kassab para parabenizá-loEm disputa apertada, Paes vence Gabeira no RioMárcio Lacerda, do PSB, é eleito prefeitoBlog da eleição: Veja a apuração e confira os resultadosGeografia do voto: desempenho dos partidos no País Cobertura completa das eleições 2008 Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos  A vitória do prefeito Kassab na eleição de domingo em São Paulo tem um significado especial para o partido. Enfraquecido em todo o País, inclusive em redutos históricos do Nordeste, o DEM ganha um novo impulso e um novo líder. Longe de se caracterizar como projeto unilateral, a sigla divide o sucesso com o PSDB, tendo no horizonte a sucessão presidencial de 2010. Tradicional aliado dos tucanos, o DEM quer manter seu peso político na chapa de oposição que disputará a eleição de 2010. A aliança histórica do DEM com o PSDB passará, a partir da eleição, necessariamente pela apreciação de Kassab, que soube costurar o acerto com o governador José Serra, de quem foi vice na eleição de 2004, e levar a gestão nos moldes determinados pelo parceiro partidário.  "Kassab vai se tornar um líder nacional, mas diferente. É gente nova, não é produto do ciclo militar. Será líder de um novo ciclo", disse à Reuters o ex-governador Cláudio Lembo, tradicional integrante do PFL (antigo nome do DEM). Lembo acredita que uma das principais características de Kassab, que conquistou Serra, é a sua lealdade não apenas ao governador como a seus projetos na prefeitura. "Tanto que aceitou e manteve os secretários do PSDB", analisou Lembo.  Faz parte da estratégia dos apoiadores de Kassab o cumprimento do mandato de quatro anos na prefeitura, sem a opção da candidatura ao governo do Estado em 2010. A medida também é uma das etapas para o projeto de Serra rumo à Presidência da República. "Não é uma vitória do partido. A vitória é da aliança comandada pelo Serra", declarou Guilherme Afif, articulador da candidatura Kassab junto com o presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen. Foi por intermédio de Afif, secretário do Trabalho do governo estadual, que Kassab, hoje com 48 anos, entrou para a política, em 1985. O PSDB aderiu formalmente à eleição de Kassab no segundo turno, depois da derrota do candidato da legenda, Geraldo Alckmin. A ala da sigla liderada por Serra, no entanto, esteve todo o primeiro turno ao lado do prefeito.  O Democratas, novo nome do PFL a partir de 2007, elegeu apenas um governador nas eleições de dois anos atrás, no Distrito Federal. Também viu reduzida sua base no Congresso, de onde exerce seu principal papel, o de oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido elegeu 65 deputados em 2006, número que caiu para 54 hoje, com as trocas de legenda. Eram 84 em 2002 e 105 quatro anos antes. Para dirigentes do partido, a situação levou à renovação realizada no ano passado, com troca de nome e de presidente. A mudança, no entanto, ainda não se fez sentir fora de São Paulo.  Nas eleições municipais deste ano, o DEM não conseguiu levar ao segundo turno em Salvador o candidato Antonio Carlos Magalhães Neto, depois de ter perdido o governo do Estado para Jaques Wagner, do PT. A Bahia era o principal reduto da legenda. No Rio de Janeiro, a candidata do partido não atingiu 4% dos votos, depois que Cesar Maia e aliados ocuparam a prefeitura por quatro gestões. "O partido perde 4 milhões de eleitores no Rio e ganha 8 milhões em São Paulo", comemora Rodrigo Maia, filho de Cesar. Propaganda polêmica No primeiro turno, Kassab contrariou as pesquisas de intenção de voto e ultrapassou Marta no resultado final. A petista, que já foi prefeita entre 2000 a 2004, aparecia em primeiro nas sondagens divulgadas durante o período da campanha eleitoral. Já no início do segundo turno, a campanha da petista cometeu um deslize do qual não conseguiu se livrar. A peça publicitária que inaugurou o horário eleitoral na TV questionava a vida privada de Kassab. Seu marqueteiro, João Santana, produziu uma inserção com as seguintes perguntas: "Você sabe se ele é casado? Tem filhos", perguntava o locutor. A propaganda causou indignação de partidos, movimentos e, inclusive, foi reprovado dentro do próprio PT. Marta se defendeu ao dizer que "não havia visto a propaganda antes dela ir para o ar" e, ao participar de sabatina, jogou a culpa no marqueteiro. A inserção, do jeito que foi elaborada, colocava dúvidas sobre a sexualidade do atual prefeito.  Campanha Desde o começo da campanha, em agosto, tanto Kassab quanto Marta "colaram" suas imagens em figuras de peso: na do governador de São Paulo, José Serra, e na do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respectivamente. O apoio de Serra, inclusive, agravou a crise do prefeito com Alckmin, e o de Lula, bem-vindo por candidatos até da oposição.  Logo no dia em que oficializou a sua candidatura, 29 de junho, Marta sinalizou o tom que iria adotar durante a campanha: atacar Kassab e deixar Alckmin de lado. O prefeito foi responsabilizado mais uma vez por Marta pela situação deixada pelo antecessor Celso Pitta. Em vários momentos, ela tentou colar o candidato do DEM a Pitta e Maluf. Ele, por usa vez, associou a petista à "quadrilha do mensalão".  Kassab era vice de José Serra e assumiu a prefeitura quando o tucano se elegeu como governador em 2006. Desde então, o democrata vem afirmando que segue à risca o projeto de Serra e ressalta a sua parceria e "lealdade" com o então prefeito.  Mais que Marta e Serra Kassab atingiu a marca de 3.424.375 milhões votos, número superior à que obteve a candidata do PT ao cargo, Marta Suplicy, em 2000 (3.247.900 milhões de votos). Na ocasião, ela venceu o segundo turno da eleição, que disputava com o candidato do PP, Paulo Maluf (2,303,508). Marta havia atingido 58,51% dos votos, enquanto Maluf, 41,49%. Os votos recebidos por Kassab também é superior ao obtido pelo candidato do PSDB, José Serra, há quatro anos (3.330.179 milhões). Nessa ocasião, ele venceu a disputa na capital paulista e contou com o atual prefeito na chapa, então como vice. Na oposição, Marta Suplicy havia recebido 2.740.152 milhões de votos. Esses montantes representaram a fatia de 54,86% e 45,14%, respectivamente. (Carmen Munari, da Reuters,  Andréia Sadi, do estadao.com.br, e Célia Froufe, da Agência Estado)

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