Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Kassab reclama de 'agressão' de Alckmin na TV

Ex-prefeito se queixa de tucano, que o convidou para chapa, e reitera apoio à reeleição de Dilma

Carla Araújo e Wladimir D’Andrade, O Estado de S. paulo

03 de setembro de 2014 | 22h28

O ex-prefeito de São Paulo e candidato a senador pelo PSD, Gilberto Kassab, disse nesta quarta-feira, 3, que se sentiu ofendido por propaganda na TV do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, e que pediu “respeito” à campanha tucana. Segundo concorrente ao Senado a participar da série Entrevistas Estadão, Kassab reafirmou apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff, mas defendeu que a petista já anuncie uma nova equipe econômica para um eventual segundo mandato.

Aliado do peemedebista Paulo Skaf, Kassab está em terceiro lugar na disputa. Pesquisa Ibope divulgada nesta terça-feira, 2, mostra o candidato do PSD com 8%, atrás do petista Eduardo Suplicy (28%) e do tucano José Serra (33%). Kassab nega que sua candidatura tenha como objetivo defender sua gestão na Prefeitura e alega ter iniciado as investigações que culminaram no escândalo da máfia do ISS.

 

Kassab lembrou que Alckmin o convidou para ser candidato ao Senado na chapa do PSDB e que, por isso, não faz sentido a “agressão” da campanha do governador. A propaganda tucana afirma que “Skaf esconde, mas ele está com o Kassab, com o (Paulo) Maluf, e esconde até o (Luiz Antonio) Fleury, aquele governador que quebrou São Paulo”.

“Eu não aceito uma agressão a uma pessoa que algumas semanas atrás estava sendo convidado a ser senador por essa chapa”, afirmou Kassab. “Nós estamos em palanques diferentes, mas o respeito sempre é bom.”

O candidato do PSD disse ter optado pela chapa de Skaf por considerá-lo um nome de renovação, assim como ele seria se eleito senador. Kassab alegou que Suplicy está há 24 anos no Senado e que Serra já foi eleito para o cargo em 1994, embora tenha passado a maior parte do mandato como ministro de Estado. “Eu jamais sairia candidato contra o Serra. Ele saiu sabendo que eu era candidato. Minha posição pessoal é que ele não deveria ter saído.”

Novo ministro. Apesar do apoio à reeleição, Kassab está no grupo que pede mudanças num eventual segundo mandato de Dilma. O candidato do PSD avaliou que a economia sofreu consequências da crise internacional, mas alegou que agora é preciso dar respostas a esses problemas. “Defendo mudanças e defendo que elas sejam anunciadas já, pois ela é candidata”, afirmou. “Se possível, (que Dilma) reflita se não seria bom definir (nomes), para que as pessoas saibam que, votando nela, quem vai conduzir a política econômica será fulano.”

Questionado se isso não deixaria o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, em aviso prévio, Kassab afirmou: “A condução da política econômica não está apresentando resultados. Só falta ela querer transmitir a todos que não quer mudar”.

O candidato minimizou a resistência de Skaf em dar palanque à presidente. “Evidente que existe vontade de nossos adversários de criar uma falsa polêmica”, afirmou. Kassab considera compreensível a postura de seu companheiro de chapa, que tem dito que votará com o partido, e não em Dilma. “A posição dele é simples. Ele diz que aqui em São Paulo tanto o PT como o PSDB são adversários. É verdade”, afirmou o ex-prefeito. “Ele declarou que vota no candidato do seu partido. Eu voto na presidenta Dilma.”

Kassab afirmou que, se for eleito, dará atenção especial a projetos na área da segurança pública, aos repasses federais para o metrô e às reformas tributária e política. Nessa, o fundador do PSD defende cláusula de barreira, para restringir o acesso dos partidos nanicos ao tempo de propaganda eleitoral. Kassab disse que votaria a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo - “casamento é uma decisão pessoal e de cada igreja” - e da criminalização da homofobia.

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